quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Vingança!- Por Denny Guinevere Du Coudray


Por um tempo permaneci imóvel esperando uma suplica de meu inimigo. Jorge encontrava-se no chão com olhos arregalados olhando atentamente para a arma prateada que se encontrava em minhas mãos, o semblante transparecia seu desespero agonizante.

EM minhas mãos estava um calibre 38 bem posicionada na direção de Jorge, ele sabia que eu não o deixaria ir.

__ Monique, eu imploro... Sou jovem, não quero morrer! - ele chorava como uma criança ridícula, isto só aumentava meu desejo sombrio e obscuro.

Gargalhei.

Vi em seus olhos o medo sucumbir, Jorge cagava-se de pânico e eu me divertia, apesar dele ser alto e mais forte não iria conseguir escapar desta, sempre gostei do meu lado cruel.

Puxei o cão da arma e ela fez um ruído indicando que a câmara havia girado esperando meu próximo passo. Coloquei levemente meu dedo no gatilho e sorri.

__ Perdoe-me! – Jorge finalmente reconheceu seu fim trágico.

A arma já estava submissa esperando meu comando. Notei as lágrimas que rolavam na face do desgraçado que acabou com minha vida, sonhos e ilusões, então disparei o tiro certeiro que o atingiu na face desfigurando-o e esparramando seu sangue pelo chão. O corpo de Jorge pendeu-se para trás até atingir o solo, seu olhar aterrorizante denunciava um corpo inerte, sem vida.

Recolhi a arma limpando minhas digitais. Quando a madrugada findasse o corpo de Jorge seria encontrado e provavelmente levantariam suspeitas. Mas, não importava.

Suspirei aliviada. Finalmente minha vingança estava se cumprindo.



Eu e Monaliza éramos amigas e amantes. A cada dia que passava meu sentimento por ela aumentava. Iludi-me. A bela face de Monaliza escondia um coração cruel.

Estava indo tudo bem, nosso romance despertava um sentimento desconhecido até que eu descobri a verdade...

Iria me encontrar com Monaliza em um domingo chuvoso. Eu estava ansiosa, ela distante. Depois de três horas esperando a bonequinha avistei de longe o Jorge e seus amigos vindo em minha direção.

__ Onde está Monaliza? – perguntei assim que se aproximaram.

__ Ela estava passando mal. Sentou para descansar. – disse Jorge não escondendo seu embaraço.

Algo em mim dizia que eu deveria ir embora, a presença de Jorge me incomodava de maneira diferente. Senti algo pairando sobre ele, e não era nada bom, pelo menos pra mim.

Quando Monaliza apareceu dentre a multidão, os garotos que estavam ao meu lado se afastaram. “Já sei de tudo” – pensei.

Monaliza tentou beijar-me nos lábios dando um selinho carinhoso, eu desviei.

__ Precisamos conversar – disse ela calmamente.

__ Diga. – Falei um pouco fria.

__ Não quero continuar.

__ Não quer continuar comigo? – perguntei. Ela balançou a cabeça afirmando o que eu já sabia.

__ Tudo bem. – respondi. – Já que estou aqui, vamos curtir.

Ela ficou ao meu lado dizendo varias bobagens, tais como: minha mãe não aprova, uma pessoa me balançou, estou confusa...

“Porque não diz que nunca me quis? Porque não assumi ter sido cruel me deixando no frio esperando até você ter coragem pra me dizer? Como quer que eu evite a morte de minha alma se você esta matando o que resta dela? Odeio você!” – pensei com raiva, mas sorrindo para ela enquanto se justificava inutilmente.

Bom, não preciso relatar o fim da noite, não é mesmo? Ficamos bêbados e senti o ódio crescer em minha veias fulminando a imagem dela com os olhos.

Evitava olhar para o rosto que outrora beijei sentia nojo dos lábios dela e um ciúme encheu meu orgulho ferido de mulher, a mentira que ela dizia pra mim foi a ultima gota de água. Bastava!

Não quis agredi-la verbalmente e não farei ao contar-lhe uma historia trágica de romance, ela deve ter seus motivos lá no fundo não?

Desgraçada!

Vi o Jorge e ela se beijarem as escondidas, cada facada que ela impunha em meu peito me transformava em um monstro. A doce Monique havia morrido naquela noite.

Foi nesse momento em que meu ódio e vontade de vingança se uniram arquitetando um plano infalível.

Eu iria mata-los, mesmo que esta atitude sacrificasse minha liberdade.



Naquele dia eu havia marcado um encontro com Jorge, eu havia dito que queria somente conversar. Ele concordou rapidamente, este encontro daria uma chance de executar meu plano com êxito. Após dar fim a vida de Jorge caminhei rapidamente ás pressas para a casa de “Mona”, a morte dela ia ser mais divertida de fato.

__ Anjo! Você por aqui? Eu queria mesmo falar com você! – disse ela ao mesmo tempo em que me abraçava graciosamente.

Se ela fosse esperta o bastante, teria notado meu ódio nos olhos e evitaria o fim de seus dias.

__ Também queria falar com você amor.

Ergui a faca que encontrava em minhas mãos, Monaliza tentou correr. Agarrei ela pelos cabelos e finquei a faca em seu corpo. Atingi bem o coração dela, vi seus olhos implorando piedade. Gargalhei mais uma vez.

Deixei ela sangrando em sua casa, vi a vida dela se esvaindo pelos dedos enquanto chorava pedindo perdão e tentando compreender porque eu tinha feito aquilo.

__ Se não vai ser minha, não será de ninguém. Jorge também esta morto querida. Aproveitem o outro lado da vida.

Beijei-lhe a boca antes dela perder os sentidos, o sangue dela espalhava-se pelo chão.

Se iriam descobrir? Pouco me importava... Agora estavam mortos e minha vingança feita.

Vingança é um prato que se come frio.

Coloquei a blusa, estava esfriando. Com certeza o caminho de volta para casa seria alegre e calmo.

4 comentários:

Camila Bernardini disse...

belo conto, pena que tão rancoroso e cheio de vingança sem sentido

Denny Guinevere Du Coudray disse...

Cara amiga minha.... É apenas um conto de vingança por amaldiçoar uma pessoa que amou um dia...Agleum que nao merecia o amor dela.

Como vimos é uma forma de expressar sentimentos, nao guardo rancores, apenas deixo-os fluir em forma de contos...

Malina disse...

Muito bem escrito, apesar de discordar da escolha da personagem principal, é um belo texto.
Orgulho ferido geralmente gera vingança... Eu sei que não leva á nada, mas será que todos sabem ?

(filósofa Malina...hahahaha)

Denny Guinevere Du Coudray disse...

Talvez cara Malina, eu já vi a vingança transformar os homens em monstros, mas as vezes o odio e desejo de vingança tem um sentido natural e bom: as vezes nos faz amadurecer e crescer atraves de um sentimento sem sentido... Agradeço o comentario. Espero que goste dos novos contos que virão por ai...

Beijos a vc minha doce Malina...


Denny Guinevere