sábado, 30 de agosto de 2008

Criança Mimada - Por Denny Guinevere Du Coudray


Não me faça rir!

Com teus julgamentos inúteis,

Sei o que aflige teu seu coração

És uma criança mimada,

Que me olha com maus olhos.

Não sei o que lhe fizeste

Pra guardar tal rancor

De tuas lágrimas ouço os temores

Que se desvendam diante de ti.

Não sinto mais medo e

Nem receio de te ver partir

Um dia esteve em mim

Porém agora só resta o vazio

Que outrora era pleno de luz

E agora arrebatou-se no inferno.

Doce vingança= por camila bernardini


Meus olhos te viram tristes

Olhando para o infinito

seus olhos tão aflitos

Soluços prontos para vrar um grito

Nessa hora minha almaC

om dor foi perfurada

talves sua tristezade não sentir-se amada

faça com que esses olhos

demonstrem ser maltratada

sentada sozinha naquela sepultura

Lágrimas que teimam em escorrer

Mil dúvidas surjem no vazio da sua mente

Mas vc não acha a resposta e nem o porque

Com seu copo de vinho brinda a morte

E tudo que ela tem a lhe oferecer

Já esquece de ser forte

tudo que deseja é parar de sofrer

Eu em minha angústia tento te socorrer

Mas vc já não me ouve

Já não consegue entender

Quer apenas a solidão

inerte na sua própria escuridão

seu caminho esto em trevas

Sem nenhuma luz a brilharS

ua dor...seu pecado

Talvez foi querer me amar

Em meio ao soluço e desespero

peço para me perdoar

Mas vc continua distante

Apenas com o desejo de se matar

Entã no mesmo instante

Vejo um punhal te acertar

O sangue no chão começa a espalhar

Com um último suspiro

Vc me lança um olhar

Diz em um sussurro

Que foi a doce maneira que encontrou para de mim se vingar

Com seu corpo morto...em meu braços

Sei que tudo esta perdido

me perdoe por um dia

Em sua vida ter existido

Um anjo que partiu- Camila Bernardini

Vai fazer dois anos....e em homenagem voi por algo que escrevi para vc...Saiba que estará sempre em meu coração

Minha alma ferida se perde na melancolia
Foi dificil apartida
Incerteza de não ter ver mas um dia
Me sintoperdida
Nos versos da poesia
Lágrimas de sague escorrem
È triste a monotonia
porque tão cedo vc se foi
Deixando me em profunda agonia
a morte traçoeira, cruel
te levou com a ventania
Com seu sopro acabou
com a esperaça de acordar mas um dia
Sei que seu espiríto voou
e que agora se encontra em eterna harmonia
mas a tristeza não me deixa
me sinto triste e vazia
nem pude dar o adeus
Que merecia sua partida
Me sinto opaca, dorida
sem forças para levantar
mas saiba meu querido amigo
Que um dia em seus braços pude encontrar
Um refúgio, um abrigo
Tão doce de se falar
Aqui vc não estamas no meu coraçãopara sempre vai estar


Marcos quando preciso de um amigo...nessas horas meu coração dóis mais, por saber que não o tenho aqui do meu lado!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Anjo Serafim - Por Denny Guinevere Du Coudray

Numa noite tempestuosa, a neblina cobria o vale de uma maneira monstruosa deixando somente o reflexo da lua permanecer por entre as árvores.

Um vulto se movia juntamente com as paisagens sombrias que percorriam o pequeno vale próximo a uma cidadezinha distante da capital.

Alguém que sabia por onde ia vasculhava as velhas árvores procurando algo, talvez se alguém fosse tolo o suficiente para adentrar na mata sombria descobriria que aquele vulto pertencia a uma bela jovem, uma bela jovem cruel.

Lilith caminhava como o vento, seus pés descalços voavam por cima das folhagens que caiam das árvores, nenhum ruído era ouvido pela dama negra.

Ela usava um vestido negro, os cabelos negros cobriam a face, porém sua pele era branca como a neve, os olhos azuis destacavam em seu semblante frio e desinteressado nas belezas da noite escura.

Provavelmente ela não perceberia que estava sendo vigiada naquele instante em que vagava solitária pelos arredores da vila procurando uma vitima para saciar sua fome devastadora. Uma presença masculina e divina a vigiava com certa ternura.

Lilith passou por um beco e avistou um mendigo que dormia entre as folhas de jornais que provavelmente fora-lhe difícil de conseguir para se esquentar durante aquela noite fria e tempestuosa.

Aproximou-se do rapaz e sua presença não foi notada pelo tal fulano. Ela observou seu sono profundo cheio de tormentos, aquele homem teria alcançado a meia idade, talvez a mulher o tivesse largado por causa do vício maldito do álcool que consumia nas ruas desertas durante a madrugada. Lilith balançou a cabeça negativamente como se quisesse afastar o mau humor de somente conseguir este tipo de presa, a cada século que se passava ter refeição digna estava fora de alcance. Beber do líquido rubro de um mendigo viciado no álcool era sua última opção. Ela sabia, porém, que os moradores da pequena vila estavam espertos e preparados contra o mal que rondava as noites. “Aquelas velhas fofoqueiras, foram elas que me difamaram, me viram uma única vez saciando minha fome, e para elas isto é motivo suficiente para alertar os vizinhos se precavendo de minha presença maldita”. – pensava ela com certa amargura.

O velho rabugento e bêbado abriu os olhos enquanto ela estava imersa em pensamentos argumentando a presença maligna que via em sua frente pegando-a de surpresa.

__ Quem diabos és tu ser maligno e demoníaco?

__ Como ousa? Com que direito o senhor tem de me julgar? Seres humanos! Sempre reclamam e julgam as pessoas sem antes se certificar primeiro.

__ Um ser como tu! Andando de mansinho com roupas negras. Sei quem és. Tu és aquele demônio que ronda nossa vila matando cruelmente os moradores decentes.

Lilith gargalhou por alguns instantes, para ela era ridículo ouvir tal coisa.

__ Morador decente? É isto que julga de ti mesmo? Um bêbado viciado que dorme no relento?

O senhor que até este momento estava sentado sobre as pernas levantou-se prontamente esforçando-se para ficar de pé. Lilith que observava com o brilho diferente nos olhos sorria maliciosamente enquanto ele tentava fugir.

__ Não vais conseguir mortal. Pode tentar, acho até mais divertido brincar com minha refeição antes de devorá-la.

__ Socorrooooooooooo!

Ao ver que o fôlego dele havia se recuperado e que o grito ensurdecedor do velho poderia chamar a atenção de algum vizinho bisbilhoteiro, Lilith avançou sobre ele tampando-lhe a boca e sussurrando em seu ouvido.

__ Posso facilitar para ti. Prometo que não irá doer, preciso de alimento como tu precisas de tua bebida maldita, não és tão diferente de mim, senhor.

Antes que mais uma palavra se proferisse dos lábios do velho, ela transformou-se no ser que era. Os caninos apareceram e seus olhos ficaram negros como a noite sombria. Lilith abriu a boca vermelha e alcançou a jugular o velho que tentava se debater em seus braços e ela fincou os dentes e absorveu em goles saciáveis o sangue vermelho que escorria pelo pescoço do senhor.

Serafim que até o momento espionava ela sem vestígios lamentou-se por ela ter cedido a sua fome. “Pensei que agüentaria um pouco mais”.

Serafim não era notado por ela, talvez pelos dois terem poderes sobrenaturais e não serem humanos. Tanto ela quanto ele conseguiam passar despercebido entre as pessoas.

Lilith largou o corpo do velho no chão, o corpo falecido fez um barulho oco. Ela segurou o rosto como se fosse rir, divertia-se com a situação, adorava matar os humanos e saciar sua sede.

Ela se afastou carregando o corpo inerte nas costas pretendia joga-lo no rio que passava por baixo da vila, sabia que este levaria o corpo para bem longe. Assim ela conseguiria mais um tempo sem rumores do ser maligno que as pessoas fantasiavam sobre ela.

Ao adentrar na mata que ficava próximo a vila ela livrou-se do corpo jogando-o ao longe para que este fosse levado pela correnteza, afastou-se e caminhou lentamente submissa aos seus pensamentos e emoções que escondia de todos os seres vivos.

Quando ela levantou a cabeça que permanecia baixa até então, viu o Serafim admirando-a com lágrimas aos olhos. O olhar penetrante dele causava certo incomodo, ela ficou imóvel, em silêncio. Os dois permaneceram assim por um tempo, uma eternidade para ela que nunca o tinha visto antes.

“O que este ser deseja? Porque me olha atentamente?” – ela fazia perguntas a si mesma como se pudesse responde-las. O rapaz era lindo a seus olhos. Loiro, cabelos compridos e lisos, os olhos azuis, um porte físico atraente. “Que belo rapaz!” – pensava a vampira noturna e antes que pudesse dar um passo avançando em sua direção o jovem abriu as asas que balançava ao vento, as asas brancas davam ao rapaz um aspecto angelical e divino. Lilith observou o jovem.

O rapaz de roupas brancas e asas de anjos aproximou-se dela, Lilith desviou o olhar e permaneceu olhando o horizonte vazio que se estendia entre eles.

__ Certamente não me conheces. Meu nome é Serafim, sou um anjo que veio a este vale descobrir o que rondava a região quando me deparei a ti, sua beleza se ofuscou como um cristal valioso do qual pretendia possuir, porém na primeira noite que fiquei a vigiar notei que era uma vampira e permaneci a seguir-te noite após noite, e tu não me notou, não percebeu minha presença até o momento presente.

Quando ele finalizou sua explicação ela demorou uns segundos a se recompor.

__ Como ousa ser divino e atrevido? Como ousa me seguir como se fosse uma criminosa fútil? Estes seres humanos tem prazer em matar a si mesmo, estou apenas ajudando para que este plano inútil se concretize por fim. És um tolo! Um tolo atraente, mas um tolo! Achas mesmo que tu vais ficar ai na minha frente dizendo que permanecia a vigiar-me?

Tenho coisas a fazer, mais importantes do que olhar nestes olhos envolventes, nunca mais ousa me dirigir a palavra inútil. Sabes muito bem que não podemos nos aproximar senão ambos morreremos. Tu por ser divino, eu por ser maligna, não aprendeste nada?

__ Sei que não podemos se aproximar. Por esta razão que lhe mostrei quem sou antes que tu vieste até mim.

__ O que desejas de minha pessoa?

__ Quero entender a razão, a razão por ter se tornado o que és hoje. Por que não luta contra? Pensei que conseguiria esta noite.

Lilith tentou dissimular a raiva que nutria em suas veias, como ele ousava julga-la desta maneira? Ele não sabia que era sua forma de sobrevivência?

__ Sabes a razão, não se faça de tolo, sei que és mais do que isto.

Antes que ela pudesse argumentar sua razoes, ele sumiu diante seus olhos levando consigo a luz que outrora estivera ali, Lilith continuou a caminhada. Será que tinha visto direito?

Um brilho diferente se formava nos olhos de Serafim, demonstravam sentimentos que ela desconhecia, quando era uma mortal ouviu falar de um amor intenso, porém nunca o obteve. Sempre invejou as pessoas por possuírem este sentimento forte por outra pessoa, e viu em um ser divino o que ela tanto buscou em seus mais terríveis sonhos atormentadores de uma existência inteira.

Lilith encostou-se numa pedra e desatou a chorar, suas lágrimas de sangue escorriam livremente pela face marcando por onde passavam. Seus tormentos a enlouqueciam, e mesmo que por instantes ela sabia que talvez pudesse amar, talvez este sentimento não lhe fora negado, precisava apenas deixar fluir.

__ Não! Serafim! Tu não vais me confundir, não vais me fazer desejar outro ser como amante. Ainda mais um ser proibido, um amor impossível! – Lilith gritava enquanto era banhada por suas próprias lágrimas que lavavam sua alma demoníaca. Sabia que Serafim esta por perto, e certamente ele estava observando-a de longe e desejando que este amor pudesse ser real. “Quem sabe um dia”. – pensou ele enquanto se afastava do ser mais cruel e dona de seu coração .

Continua...

Blog indicado por Vampyrismo.org

Olá Pessoal,

Os nossos trabalhos agora são indicados também no site Vampyrismo (subcultura vampirica) que é organizado por Lord A:.
Agradeço pela incluisão dos blogs relacionados abaixo.

www.contosdevampiroseterror.blogspot.com
http://os-quatro-elementos.blogspot.com/
www.escuridaonoturna.blogspot.com
http://doisescritores.blogspot.com/

Confiram os links no endereço abaixo:
http://www.vampyrismo.org/sites.html

abraços
Adriano Siqueira

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Beijos de deusa - por Adriano Siqueira


Finalmente Mara iria se casar. Somos amigos desde criança e sempre tivemos muito afeto um pelo outro. Flertamos algumas vezes na adolescência e eu sempre a admirei mesmo sabendo que iriamos seguir caminhos diferentes. Eu conheço o futuro marido dela. Sempre estava ao seu lado. Eram o casal do ano e eles gostavam de mim. Tanto que eles me convidaram para ser o padrinho e isso foi uma grande honra. Não tinha como não aceitar.

Fiquei no carro esperando Mara sair de casa para leva-la até a igreja.

Finalmente ela apareceu na porta. Estava xingando um pouco por ter que segurar o vestido de noiva com as mãos e tentar fechar a porta ao mesmo tempo. Era uma cena engraçada. Não pude deixar de rir.

- Ao invés de rir poderia me ajudar né?

- Desculpe Mara mas você parece muito nervosa.

- É claro é minha primeira vez. E eu quero dirigir.

- Está bem! assim você relaxa um pouco.

Quando sentamos no carro ela ligou o motor para partir. Chegariamos na igreja em trinta minutos.

Conversamos um pouco e rimos da ocasião. Mara parecia mais tranquila.

- Sabe Carlos. Sei que estou fazendo o certo mas até ontem eu ainda estava na dúvida. Queria sair correndo disso tudo.

- Sei como é... Ter alguém pra vida toda é muito tempo. deve mesmo pensar sobre isso é normal.

Mara olha para mim mas eu disfarço um pouco e depois ela continua a olhar para a estrada.

- Carlos! segura o volante para mim enquanto eu olho a minha maquiagem no retrovisor. é rapidinho.

- Claro.

Quando eu seguro o volante ela pega uma algema que estava escondida em sua roupa e prende a minha mão no volante.

Antes que eu pudesse entender o que fazia, ela se aproxima e me diz algo que me fez gelar.

- É você que eu quero.

Mara pega outra algema e também se prende ao volante.

- A minha vida inteira eu quis ficar com você. Só agora eu percebi que posso. Nem que seja no interno mas vamos terminar juntos.

- Mara? você está bem? o que pretende?

- Estamos indo para o lago. lembra do nosso primeiro beijo? nossa jura de amor eterno?

- Mara pare o carro isso nao é engraçado.

Ela começa a rir e diz.

- Agora vamos ser felizes para sempre.

Mara acelera o carro. Meu coração quase sai pela boca. Não consigo raciocinar.... E antes que eu disesse algo o carro salta pena colina e cai no Lago o impacto com a água foi terrivel. Ela perdeu os sentidos e a água entrava pela janela.

Foi quando eu vi um vulto passar na água.

Não era um tubarão.. mas se movia muito rápido.

Estavamos afogando quando eu vi a porta ser arrancada e a algema da Mara ser quebrada apenas com um puxão. Eu grito o nome dela mas de nada adianta... Agora eu estava sozinho. Meu fim estava próximo quando o vulto aparece bem no para-brisas.

Agora dava para verbem que era uma mulher. Linda, loira e com um sorriso magnifico.

Ela quebra a algema e me leva para a margem.

Ela me coloca no chão e me beija por alguns momentos.Eu comecei a me sentir melhor.

Corri em direção a Mara mas seu corpo não se movia.

- Ela está morta!

- Ainda não! mas se quiser que ela viva, jamais será humana novamente.

- Por favor Salve-a!

- Farei isso mas ela jamais poderá colocar os pés na terra. Este lago será seu novo lar.

- Tudo bem Está certo leve-a então.

Novamente sinto os beijos daquela mulher e ela carrega Mara para a água.

Eu a vejo dar um beijo na Mara e afundar no lago.


3 meses depois...


Ando pela margem do lago e espero Mara aparecer.

Vejo ela e a mulher loira. Eu aceno e Mara se aproxima.

Nós nos beijamos e ela agradece as flores que trouxe.

Ela me beija novamente, olha para mim e sorri. eu pergunto se está bem e ela me abraça e me puxa para dentro do lago e eu começo a afundar e antes de eu dizer algo ela diz:


- É você que eu quero.



este conto é uma homenagem para a Denny Guinevere Du Coudray


abraços

Adriano Siqueira


A lâmina de Malani Parte 4 - Por Malina Avbrutt


Lord Dri estava parado na janela, do lado de fora a escuridão inundava a noite. A chuva começou a cair pesadamente quando ele por fim, perdeu suas esperanças.

Há noites que ele não via Malani. Já tinham se passado longas noites desde que Malani havia partido. Ela se aproveitou do seu sono e partiu sem dar explicações.
O Lord já estava cansado de esperar então decidiu sair para sua caçada noturna.

Ele sempre andou despreocupado em seu território, mas dessa vez algo parecia incomodá-lo. Não que ele se importasse com uma simples aprendiz, mas no fundo ele se preocupava com ela.
Decidiu vagar á procura de um pouco de distração. Andou envolto á escuridão por todo um caminho de terra até que chegou á um vilarejo.

Assim que passou pelas primeiras casas, que pareciam jazer na madrugada fria, avistou de longe uma taverna. As luzes das tochas tremiam e ele pôde ouvir risadas e canções embriagadas.
Se aproximou em passos lentos e chegou a porta da humilde taverna.
Os homens lá dentro, cessaram as risadas quando notaram sua presença. Lord Dri entrou sem parecer notá-los e sentou-se na mesa mais distante que havia, chamou a taverneira e pediu que trouxesse absinto.

- Sim Senhor. - Disse a mulher com o olhar amedrontado.

Logo ela estava de volta, serviu-o e partiu.

Lord Dri olhava atentamente os outros homens enquanto sorvava sua bebida com cautela. Os homens que ali estavam não sabiam se ele era somente um senhor rico ou se era alguém que oferecia algum perigo.

- Amigos! - Disse um deles, levantando seu caneco de madeira. - Brindemos á nossa vitória de hoje.

Lord Dri assumiu uma postura mais ereta quando notou que eles o tentavam provocar.

- Aquela vadia do inferno mereceu morrer! - Disse outro homem.

Nesse momento Lord Dri levantou-se e foi em direção á um deles. Parou e fitou-os sem dizer nada.
Um dos homens, o que parecia mais destemido, continuou: - Vampirinha de merda!

Lord Dri então aproximou-se desse e segurou-o com toda força pelo pescoço, suas unhas longas cortavam a pele do pobre coitado bêbado.

- De quem falam? - Perguntou.

Os outros homens se afastaram numa atitude de pavor, um deles começou a pedir pela vida do seu amigo:

- Por favor não faça nada, não sabemos quem é ela. Ela não está morta! Por favor!

- O que houve então?

- Nada, nada. Largue-o por favor. Só ouvimos o boato de que uma vampira anda aterrorizando essa simples aldeia, viemos ajudar, mas não a encontramos! Por favor!

- O que mais?

- Ela está seguindo para o norte. Só sabemos disso. Por favor, solte-o ou irá matá-lo!

Lord Dri aos poucos afrouxou a garganta do homem que já começava á desfalecer. Virou-se para os outros e sorriu.

- Vocês a viram?

- Não, não vimos.

Sem mais palavras o Lord saiu da taverna, passou perto de sua mesa e jogou algumas moedas para quitar o que havia consumido.
Chegou do lado de fora da taverna e viu que a chuva voltara a cair, dessa vez mais forte.
Começou então á andar pela estrada de volta ao seu castelo.

"Malani, por onde andas?" - Pensava.

******

Enquanto isso Malani estava sentada em uma cama em um quarto abandonado. Olhava o reflexo da lua em sua espada, passando os dedos levemente sobre as gotas de sangue secas.

"Estou aqui Lord, venha atrás de mim".




quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Lâmina de Malani Parte 3 - por Adriano Siqueira



Quando Lord Dri se levanta para alcançar Malani ele escuta uma explosão.
- Mas que diabos! - Lord corre para a sua janela e vê vários humanos caçadores entrando no seu castelo.
- Malditos! - Ele dizia irritado... - Poderiam ao menos nos deixar a sós esta noite.
Malani ri, pega uma espada e declama:
- Que venham mestre! Estou sedenta por emoções fortes.
Ela dá um beijo na boca do lord e pula a janela. Antes de pousar no chão três cabeças são arrancadas por sua espada. Lord grita:
- Nenhum hospede pode se divertir sozinho no meu castelo!
Ele olha para a lua e proclama:
- Venham criaturas noturnas. Venham ajudar o seu mestre.
A lua começa a escurecer como um eclipse mas era na verdade vários morcegos que atendem o seu chamado.
Os homens são surpreendidos pelas mordidas dos morcegos e tentam se proteger. Alguns conseguem entrar no castelo e começam a tocar fogo nas cortinas com as suas tochas. Outros correm para a floresta mas são atacados pelos lobos.
Malani já havia derrotado mais de 10 homens. Sua sede por sangue não acabava nunca. Cada homem que ela cortava a cabeça era mais alimento para ela.
O Lord gritava de dentro do castelo com a sua espada em punho.
- Malani! Contenha a sua ira ou vai estragar o nosso jantar.
- Não se preocupe mestre. Tenho outros planos para o jantar.... Você!
Sorrindo, Lord olha para os homens que tentam atacar, mas as espadas passam pelo seu corpo transmutado em névoa.
- Tolos! Acham que podem entrar sem convite e matar o anfitrião?
Lord ataca sem piedade a cada golpe frustado dos combatentes é um corpo que cai.
- Malani não desperdiça nenhuma gota de sangue, se aproxima do lord e o beija enquanto enfia a lâmina da espada no peito de um homem. Lord agarra o pescoço do seu último combatente e levanta um metro continuando a beijar Malani ele o enforca e depois joga o seu corpo para o lado.
A luta termina com vários humanos decapitados espalhados pelo castelo. Malani olha para o Lord e diz:
- Agora é hora da sobremesa.
Malani usa a sua espada para arrancar os botões das roupas do lord. até que ele fique sem nada.
Ela o agarra ali mesmo no meio de muito sangue no chão e o domina.
- Venha agora meu Mestre... Estou sedenta.
- Um mestre sempre realiza os sonhos dos seus dicípulos.
Eles se beijam e as suas mãos passeiam pelo corpos cheios de sangue. Seus corpos molhados rolam pelo chão ensanguentado. Lord penetra no corpo de Malani e enfia várias vezes entre as pernas dela segurando suas mãos.
Ela grita de prazer e chupa o dedo do lord enquanto ele sente todo o prazer daquele momento único, carregado de muito êxtase e paixão. A lua torna a brilhar e o brilho penetra pelas janelas do castelo até chegar onde os dois estavam causando uma mistura de cores vermelhas e azuis.
Ela geme por muitos segundos e o lord sente todo o prazer de Malani em seu corpo que não resiste a tanto extase e grita como um animal feroz quando chega ao orgasmo.
Finalmente ele socumbe exausto.
Eles ficam deitados e as suas mãos passeiam pelo seus corpos delicadamente. Então, depois de algum tempo, Lord sussura:
- Deixe a sua mente bem tranquila. Pense nos animais noturnos.... Um morcego... deixe a sua mente criar esta forma... imagine ele bem perto de você.
Malani faz o que o lord pede e neste momento... Muitos morcegos entram no castelo e ficam circulando em volta dos dois.
- Abra os olhos Malani. Veja como eles nos obedecem, nos protege. Estes são nossos amigos noturnos. Sempre estarão por perto. Quando quiser. Este é o meu presente para você.
Ela o abraça e sorri.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A lâmina de Malani (Parte 2) - Por Malina Avbrutt



Lord Dri subiu rapidamente as escadas enquanto Malani mantinha uma expressão séria no rosto.
Chegando na porta do quarto, ele a colocou no chão e ela entrou sem grandes cerimônias, ele ficou parado na porta fitando-a se afastar.

Malani caminhou até a estante e passando a mão sobre ela, virou-se dizendo:

- O que acha que está fazendo?

Ela não pode interpretar a expressão dele, não fazia idéia do que ele estava pensando.

- Malani, porque tantas perguntas? - Ele disse com um sorriso no rosto.

Ela ainda estava parada quando ele ultrapassou a porta lentamente. Se aproximou dela e tocou seu queixo erguendo o seu rosto. Malani sustentou seu olhar, mas não disse nenhuma palavra.

- Você não é somente uma vampira vingativa e cheia de ira, não é mesmo? - Ele perguntou.

- O que importa? - Malani falou, abaixando a cabeça e escorregando as mãos em seu peito. - Você conhece seus domínios, eu vim para aprender. Você sabe muitas coisas, eu aprendi muitas no meu longo caminho. Você é poderoso e eu - fez uma pausa - uma simples aprendiz.

Lord Dri não sabia o que dizer, em poucos segundos sentiu-se totalmente envolvido pelas palavras e pela sedução que parecia emanar do corpo daquela simples criatura imortal.

- Mestre. - Ela falou. O que bastou para que ele a agarrasse pelo pescoço com força e andasse em direção a cama. Jogou-a num gesto rápido e deitou-se em cima dela, imobilizando-a.

- Você me intriga. - Ele disse enquanto percorria o caminho do pescoço aos seus seios, suas mãos e sua boca aos poucos desvendavam a pele pálida por debaixo das roupas pesadas. Ela sentia sua respiração gelada em sua pele.

Ele a beijava e pensava no quanto a queria de maneira inexplicável. Se distraiu em seu corpo fazendo com que ela aproveitasse seu momento de descuido.

Malani segurou seus pulsos e com rapidez o tirou de cima dela, o jogando ao seu lado e sentando sobre ele com um sorriso sarcástico.

- Não se domina uma criatura selvagem tão facilmente, Lord. - Ela disse, logo afundando sua cabeça em seu peito e beijando seu corpo lentamente. Ela apertava seus pulsos causando uma pequena dor, que há muito ele não experimentava, mesmo assim ele deixava, não tentava se desvenciliar dela, estava parado, sentido-a explorar seu corpo. - Ensina-me o que tem para ensinar e quem sabe assim, posso dar-lhe o que deseja.

- Uma troca não é o que desejo. - Ele disse, mas sabia que já estava envolvido e a desejava mais do que qualquer coisa.

- É, é sim o que deseja. - Ela falou e ele fechou os olhos numa expressão de derrota.

Malani ergueu-se e saiu, ele pôde ouvir seus passos se distanciando cada vez mais. Há tempos ele não sentia o desejo correndo em suas veias, agora ela sabia que a desejava e não podia controlar. Mesmo sem conhecê-la, ele estava disposto á trilhar o caminho que ela havia imposto.

A Lâmina de Malani - Por Adriano Siqueira


Está história se passa 300 anos antes das atuais histórias do Lord Dri


Os guerreiros se divertiam com as mulheres na taberna. Alguns contavam piadas sobre a chacina que fizeram na aldeia vizinha. Muitas familias foram mortas por estes selvagens apenas para robarem as moedas dos impostos do povoado.

O dono da taberna tentava evitar que aqueles homens maltratassem as mulheres que trabalhavam ali. Porém eles eram brutos e selvagens. Alguns usavam as suas facas para passar nos rostos das mulheres.

Um dos guerreiros que estava sentado, escuta um barulho no teto e quando olha para cima abre a boca para avisar seus amigos, uma flecha entra em sua boca atravessando o seu corpo e a lâmina atravessa a cadeira.

Os outros se armam mas Malani era rápida. Toma a faca de um dos guerreiros e enfia na barriga de outro. Salta e chuta outros dois que atravessam o balcão quebrando várias garrafas. As mulheres fogem desesperadas.

Malani coloca um punhal na sua boca enquanto usa as suas mãos para lutar com os guerreiros.

Era muito rápida Ninguem conseguia acertar nenhum soco. Sua forçã era bem maior do que imaginavam. Ela levantava com facilidade qualquer um daqueles guerreiros e os jogava como se fossem sacos de areia.

Quando a luta acabou o dono da taberna foi agradecer aquela mulher mas quando ela olha para ela vê que ela estava com o rosto cheio de sangue. Sugando o sangue de um dos guerreiros. Ele se assuta e corre para se esconder.

Malani satisfaz a sua fome e caminha até a porta... Ela se depara com um homem de cabelos longos e loiros e de olhos verdes. Vestia uma capa bem escura. Ele olha irritado para os olhos de Malani e pergunta:


- Quem é você vampira? Como se atreve a invadir os meus domínios?

- Eu não devo satisfação para ninguém, muito menos você Lord Dri. Você não fez nada por aquele povoado. Deixou crianças e mulheres morrerem em vão. Sem vingança sem raiva. Você se diz ser um lord mas, nunca fez nada para merecer este título.

- Não devemos interferir com os humanos. Eles podem achar que somos monstros e a Era da Escuridão pode voltar. Você é nova por aqui existe muito o que aprender. Venha comigo. Você precisa descançar. Qual o seu nome?

- Malani... Vim do sul das montanhas e estou aqui para adquirir conhecimento com um nobre vampiro mas parece que me enganei.

- Não se enganou. Apenas não deixe que seu espírito de vingança assuma o comando quando precisar resolver algo. Por vezes nos arrependemos de nossa íra. Nos faz sentir cada vez mais frio. Mais insensível.

- Eles mereciam morrer e eu estava com fome.

- Vampiros não pedem perdão. Somos eternos. A nossa culpa nos acompanhará pela eternidade.

- Eu não me sinto culpada. Me sinto muito bem pelo que fiz. Você é que deve ser um vampiro cheio de culpa por manter está pose de Rei enquanto tudo está destruido a sua volta.

- Eu não intefiro. Moro perto e eles me caçariam e queimariam o meu castelo. São muitos que odeiam os vampiros. Agora venha para meu castelo. Logo os guardas estarão aqui e eles verão está chacina.


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No castelo de Lord Dri, Malani toma um vinho sentado no sofa da sala enquanto comenta.

- Por quê você se transformou em um vampiro covarde?

- Não sou um covarde! Sou um vampiro guerreiro. Sou vingativo e posso destruir tudo que eu achar que me atrapalha. Porém não é o momento para fazer isso.

- E quando vai reagir? quando não existir mais humanos?

Lord Dri vai até o seu armãrio e pega um livro. abre algumas páginas e fala em voz alta:


"Os vampiros devem encontrar seus irmãos protegê-los dos humanos e acima de tudo dar-lhes conforto e dividir os seus conhecimentos."


Malani se aproxima do lord, passa as suas mãos no seu peito e questiona:

- Que tipo de segredos você gostaria de compartilhar comigo?

- Segredos... Vamos deixar isso para depois...

Eles jogam a taça de vinho na lareira, Lord Dri, pega a Malani no colo e sobe pelas escadas até o seu quarto.



continua...





quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Atração e Orgulho - por Malina



"Ela é benção

Ela está viciada nele
Ela é a raiz da conexão e
Ela está conectada comigo

Aqui eu vou e eu não sei porque
Eu viro tão incessantemente
Poderia ser que ele está me assumindo

Eu estou dançando descalço
Indo a um giro
Alguma música estranha me arrasta por dentro
Faz-me sentir como algum tipo de heroína..."
(Dancing Barefoot)

Julia havia acabado de chegar em Wilmont. Logo que chegou já demonstrou seu desagrado, não gostava do clima nem do fato da cidade ser isolada.
Sua irmã, Katherine, parecia mais animada e por diversas vezes tentou animá-la, mas ela parecia não se importar em ceder.

Julia era uma garota com seus dezessete anos, do gênio difícil e uma personalidade forte. Apesar de muito inteligente, se deixava levar pela raiva e diversas vezes perdia a razão.
Estatura mediana, branca, cabelos ondulados tingidos de vermelho, Julia se destacava por sua beleza, mas não gostava quando isso ocorria.
Não se deixava enganar pro certas manias que toda garota de sua idade tem, era muito centrada e persuasiva.
Também não se deixava levar por caprichos e tampouco ia á festas típicas de adolescentes, ela preferia isolar-se, sempre fora assim, mas dessa vez algo dizia que Wilmont não era seu lugar.

Ela nada sabia sobre a cidade, mas sentia que não deveria se aproximar dali.

*****

Julia, seus pais e sua irmã estavam á caminho de Wilmont. Dentro do carro, seu pai falava em como seria bom que as meninas crescessem em uma cidade como Wilmont, sua mãe parecia muito feliz e tentava disfarçar o sorriso quando Julia a encarava com raiva.

- Vamos querida, você sempre gostou de se isolar não sei porque não aceita a idéia de nos mudarmos para cá. - Disse o pai a olhando pelo retrovisor.

- Julia, você poderia facilitar as coisas, nem amigos você tem direito, não pode falar que vai sentir saudade de alguém. - Disse a irmã que estava sentada ao seu lado.

- Não é isso! - Julia exclamou. - Só não estou me sentindo bem.

- Tomara que melhore filha, ouvi falar dessa cidade, parece ser muito bonita. - Disse a mãe dando um sorriso.

- Pelo menos a estrada é. - Retrucou seu pai.

Eles não demoraram muito para chegarem á cidade. A noite caía como uma mortalha sobre Wilmont.
Logo estavam apreciando as luzes amarelas do centro e em média de quinze minutos chegaram á casa que haviam alugado.

- Nossa, é linda. - Disse Katherine assim que desceu do carro.

- Muito, querida. - Respondeu seu pai.

Julia seguiu na frente com sua mãe enquanto seu pai e sua irmã tiravam as malas do carro. Ao entrar na casa, Julia sentiu como se já conhecesse o lugar. Ao contrário de sua mãe, que andou pelos cômodos afim de conhecer melhor os mesmos, Julia subiu a escada que ficava na sala e foi direto para o que seria, em breve, o seu quarto.


Na manhã seguinte Julia acordou desanimada, não importava o quão cansativa fora a viagem, ela e sua irmã teriam que ir para escola.
Julia já estava acostumada com sua rotina entediante, já estava no terceiro ano e sabia que nada mudaria. Arrumou-se e saiu de casa sozinha á procura da escola. Andou pelas ruas, olhava para cada pessoa que passava por ela, até que chegou ao colégio.

- Ainda bem que é perto. - Falou para si mesma. Muitas pessoas entravam e saíam, o que a deixou desanimada demais, detestava o fato de ter que se relacionar com outras pessoas.

Entrou pelo estacionamento e seguiu em direção ao prédio principal.

- Isso aqui mais parece uma faculdade. - Disse para si mesma novamente e se assustou pelo fato de estar falando sozinha.

O tédio havia tomado conta de toda sua manhã, ela não via a hora de voltar pra casa. Estava sentada na sala assistindo sua última aula e mal podia se concentrar no que o professor falava.
Ficou surpresa quando notou que até aquele momento, nenhum aluno havia se aproximado dela, ninguém havia puxado assunto e nem sequer haviam a reparado.
Ela olhava os colegas de classe com certa indignação.

"Nem parecem humanos, mas ainda bem que não vieram me perturbar, esse colégio não é tão ruim assim". - Pensava.

Assim que a aula acabou ela se levantou e foi em direção ao pátio que ficava em frente ao prédio aonde estava. Parou e fitou as pessoas sentadas no gramado e alguns meninos que jogavam bola na quadra.
Estava distraída quando alguém esbarrou nela a fazendo virar institivamente. Quando olhou para o lado viu que se tratava de uma garota. Ao contrário do que ela imaginou, a menina não se desculpou, apenas continuou andando.

"Mal educada." - Pensou.

Nesse momento a menina que parecia apática, parou e virou-se para tráz a encarando com um sorriso no rosto.

- Desculpe-me por isso. - Falou e seguiu seu caminho.

Julia pareceu congelar, balançou a cabeça e seguiu de volta para sua casa.
No caminho se sentiu pertubada, a cidade em si era linda, mas havia algo de errado. Tentou não pensar em como aquela garota havia adivinhado o que ela pensava naquele momento, mas era inevitável.

"Coincidência, ela só demorou um pouco pra se desculpar. Devo estar ficando louca." - Pensou enquanto abria o portão de sua casa.

******

No dia seguinta, Julia acordou mais animada. Levantou mais cedo e tomou um banho demorado, assim que sua irmã acordou, ela ligou o seu pequeno rádio.

- Você parece mais animada Ju. - Disse a irmã.

- Vá se arrumar Kath, vamos pra escola logo. - Retrucou.

As duas saíram de casa e chegaram ao colégio um pouco antes do horário, resolveram então que esperariam no pátio. Sentaram-se num banco de pedra e ficaram esperando a hora da primeira aula.

- Caramba! Aqui parece que nunca esquenta. - Disse Kath enquanto esfregava uma mão na outra.

- Está frio mesmo. Deve ser sempre assim, estamos rodeadas de montanhas. - Disse Julia.

Elas ainda conversavam sobre o clima quando Julia viu que a menina que a assustara outrora, estava chegando junto á dois rapazes.
Por um minuto Julia se distraiu os olhando, reparou no quão bonito eles eram. A menina vestia uma saia longa preta e coturnos que pareciam pesados demais para ela. Era extremamente branca e inacreditavelmente bonita.

- Góticos. - Disse Katherine. - Tem em todos os cantos dessa cidade.

- Como você sabe? - Perguntou Julia.

- Ontém fui dar uma volta depois da aula, vi muitos mesmo. No centro, na nossa rua, aqui na escola.

- E você fica andando por aqui sozinha? - Censurou Julia.

- Claro, sinto que não corro perigo. Hoje vou ao parque, quero conhecer essa cidade melhor.

"Não sente o perigo, você deve estar louca irmãzinha." - Julia pensou.

******

A semana passou rapidamente, Julia se sentia melhor e mais descontraída. Apesar de estar se acostumando com a cidade, ela ainda não havia saído á noite. Já era sexta-feira e logo de manhã ela decidiu que sairia de noite para um passeio.

Foi até a escola, parecia mais frio que nunca.

- Ju, hoje neva! - Disse Kath.

- O tempo está ótimo assim. - Retrucou.

- Louca! - Disse a irmã soltando uma gargalhada em seguida.

Julia assitiu ás aulas tranquilamente, olhava pela janela que dava para o pátio afim de ver o trio que tanto a inquietava.
Assim que a aula acabou ela desceu até o pátio e sentou-se, ficou esperando que eles aparecessem. Ela lembrava das feições da menina e inexplicavelmente, sentia-se atraída por ela.
Meia hora se passou e eles não apareceram, Julia se sentiu cansada e tentou tirá-los da cabeça, voltou para casa.

Á noite se aproximava enquanto ela se preparava para sair. Havia dito aos pais que sairia com amigos que tinha feito na escola, somente para tranquilizá-los, pois sabia que seria incapaz de penetrar no "mundo" em que seus colegas de classe viviam.

Enquanto se arrumava pensava em como a garota se vestia, no fundo, Julia a admirava e queria ser como ela. Vestiu sua jaqueta de couro, sua saia preta comprida, calçou sua bota e suas luvas e desceu as escadas de sua casa.
Despediu-se dos seus pais que estavam sentados na sala assistindo televisão. Antes de sair olhou no espelho e sentiu-se orgulhosa por estar parecendo com a menina do seu colégio.

Saiu e caminhando pelas ruas, sentiu que o frio havia aumentado considerávelmente. Não andou muito até que chegou perto de um bar. Entrou sem pensar duas vezes e pediu uma garrafa de vinho ao rapaz que estava no balcão. Andou até o lado de fora do bar e sentou em uma das cadeiras que estavam disponíveis.

Viu que muitas pessoas entravam ali e se sentiu incomodada por não ter conhecido ninguém. Muitas pessoas chegavam, jovens de motos iam e vinham com frequência. Ela estava completamente absorta, quando uma moto extremamente barulhenta parou em sua frente.
Eram eles. Um dos rapazes e a menina, indiscritivelmente arrumados.

Julia os encarou tentando mostrar que estava interessada, mas eles pareciam não notar, sem muitos rodeios, entraram no bar.
Ela estava inquieta, precisava falar com eles, tentava pensar em algum assunto interessante, mas nada vinha á sua cabeça. Decidiu então que entraria, nem que fosse para olhá-los simplismente.
Quando tomou coragem o suficiente para levantar, viu que a garota havia saído do bar e vinha em sua direção.
Sentiu seu coração bater mais forte enquanto a menina diminua a distância entre elas.

- Oi. Meu nome é Anna. - Disse a garota enquanto se sentava junto á ela.

- Oi Anna, prazer, meu nome é Julia.

Anna tinha os olhos negros como a noite, sua pele reluzia sob a lua.

- Você é nova aqui, não é? - Perguntou.

- Sim. - Julia respondeu.

- O que acha de Wilmont? - Anna perguntou.

- Interessante, um tanto misteriosa.

- E você gosta de mistérios? - Anna falou sorrindo.

- Se não gostasse não estaria aqui á essa hora.

- Perfeito. - Anna falava e parecia a hipnotizar. - Venha comigo, temos muito o que aproveitar essa noite.

Julia não conseguia falar, apenas levantou e a seguiu. As duas entraram no bar e logo Julia pôde ver aonde o rapaz estava sentado.

- Aquele é Nicholas, meu namorado. - Disse Anna. - Lindo não é?

- Todos vocês são. - Julia respondeu sem medir as palavras.

Anna se suspreendeu com a resposta e sorriu.

A madrugada chegou enquanto eles bebiam e conversavam, Julia explicava o porquê de estar morando em Wilmont enquanto Nicholas bebia, sempre abraçado á sua namorada.

- Acho que já estou bêbada demais. - Disse Julia.

- Melhor assim. - Nicholas falou soltando uma gargalhada.

Ficaram ali até que o sol começasse a nascer, o céu assumia seu tom cinza de todas as manhãs quando Julia resolveu se despedir. No fundo ela sabia que ficaria ali até que eles a mandassem embora, mas também sabia que precisava ir. Se despediu pesarosamente e partiu á caminho de sua casa.

******

O fim-de-semana havia sido patético em sua concepção. Ela havia passeado com sua família, eles quase que a forçaram a isso.
Julia não via a hora de chegar na escola e conversar com seus mais novos colegas. Estava ansiosa, mas ao mesmo tempo alegre.

A manhã de segunda-feira chegou trazendo o frio quase insuportável. Julia que não havia dormido direito, pensando em Anna e Nicholas, só levantou com muito esforço. Mesmo assim, antes de sair de casa, vestiu sua blusa vinho escuro e passou uma maquiagem pesada, sempre se concentrando em Anna.

Chegou na escola sozinha, ficou esperando que eles aparecessem novamente. Sentou-se no banco e acendeu um cigarro que havia restado da noite no bar. Anna, Nicholas e o outro rapaz logo chegaram e assim que Anna a viu, foi em sua direção.
Julia se sentiu extasiada pelo fato de Anna se aproximar e não conseguiu esconder seu sorriso de satisfação.

- Oi Julia, bom dia. - Disse Anna.

- Oi Anna. - Julia falou soltando a fumaça.

- Parece contente. - Anna falou. - Aconteceu algo?

Nesse momento Nicholas se aproximou e fitando Julia, disse em tom de surpresa:

- Nossa, você está diferente.

Julia apenas sorriu, se sentia orgulhosa por ter conseguido chamar a atenção deles.

- É. Está linda. - Disse Anna com seu doce sorriso. - E já que está tão contente essa manhã, o que acha de darmos um passeio hoje á noite? Esse frio está irresistível.

- Tudo bem. - Julia não pensou duas vezes em responder.

- Ótimo, passamos na sua casa mais tarde. - Disse Nicholas.

Julia não conseguia parar de pensar neles. Mal pôde caminhar até sua sala de aula, queria que o dia chegasse logo ao fim para que pudesse reencontrá-los.

******

A noite caiu novamente sobre Wilmont, do seu quarto Julia olhava ansiosa pela janela. Havia se vestido novamente como Anna e pensava em como parecia mais com ela á cada dia. Se distraiu olhando-se no espelho quando escutou a buzina da moto de Nicholas, correu novamente até a janela e fez sinal para que ele esperasse.
Desceu a escada apressada e mal se despediu dos pais.

Chegou rapidamente na calçada e ao se aproximar de Nicholas, não conseguiu disfarçar sua empolgação.

- Nossa, você está linda! Assim Anna pode ficar com ciúmes. - Nicholas falou e sorriu.

Julia sorriu de volta e sentou-se na moto. Ele dirigia rapidamente e ela pôde perceber que se distanciavam do centro da cidade.

- Para aonde estamos indo? - Perguntou quase gritando.

- Surpresa, mas você vai gostar. - Respondeu Nicholas.

Eles tomaram bastante distância da cidade, Nicholas agora dirigia mais devagar. Apesar de estarem rodeados pela escuridão, Julia se sentia orgulhosa e segura.
Nicholas de repente diminuiu mais a velocidade e Julia percebeu que ele entraria por uma pequena estrada.

- Agora estamos chegando. - Ele disse, mas ela não falou nada.

Entraram pela estrada estreita, no curto caminho, ela se assustou várias vezes quando os galhos das árvores bateram em suas costas. Logo estavam de frente para uma casa do meio de uma clareira.
Estava escuro, de longe Julia via as luzes trêmulas das velas que iluminavam a casa.

- Vamos. - Disse Nicholas enquanto desligava a moto e descia.

- O que vamos fazer aí? - Perguntou Julia.

- É uma festa querida. Não precisa se preocupar, tem muita gente lá dentro.

E realmente tinha. Julia se aproximou da casa de madeira envelhecida e logo que entrou na sala pôde ver as pessoas sentadas na sala. Alguns rapazes estavam desajeitados no sofá, algumas meninas cantavam e dançavam embriagadas.

Julia andou pela casa á procura de Anna, chegando na cozinha encontrou o outro rapaz. Ele estava encostado em um dos móveis e quando a viu entrando, sorriu.

- Anna está lhe esperando lá em cima, no segundo quarto á direita.

- Ah sim, obrigada. - Julia agradeceu e subiu a escada.

O andar de cima estava mais escuro, ela pôde notar que apenas uma vela iluminava cada cômodo.
Passou por um dos cômodos e se assustou com a quantidade de pessoas deitadas no chão, uma fumaça estranha pairava no local.

Entrou no quarto aonde Anna a estava esperando e viu que ela estava na janela, Anna notando sua presença, virou-se e Julia ficou perplexa com sua aparência.
A luz da lua parecia brilhar em sua pele, seus olhos negros e seu batom roxo a davam uma aparência incrível.

- Sente-se Julia. - Disse Anna, indicando a cama.

- Nossa, legal essa casa. Gostei. - Disse Julia tentando puxar assunto.

- É sim, muito interessante e divertida.

- O que aquelas pessoas fazem deitadas no chão no quarto ao lado? - Julia perguntou.

- Estão fumando ópio. - Anna respondeu e não percebeu a indignação estampada no rosto de Julia.

- Então Anna, vamos descer? Parece animado lá embaixo. - Julia falou e a viu se aproximar.

- Nós, não vamos á lugar algum. - Anna respondeu se aproximando ainda mais.

Julia tentou levantar, mas Anna a empurrou na cama. Aos poucos subiu em cima dela, forçando-a deitar.

- Você sempre me desejou não é? Sempre me quis. - Disse Anna enquanto acariciava o rosto de Julia.

- Anna, o que você está fazendo?

- Responda.

- Sim, sempre me senti atraída por você. - Julia respondeu.

- Mas como não conseguiu ficar comigo, você seguiu meus passos não é mesmo?

- Sim Anna, mas não entendo o porquê disso.

Anna puxou seus braços para cima enquanto afundava a cabeça em seu pescoço. Julia sentia sua respiração gélida e tremia de excitação.

- O que vamos fazer? - Julia perguntou.

- Não use o "nós" querida, isso não existe. Você não é digna de ser considerada como "nós".

Nesse momento Julia pareceu ter voltado á realidade, viu que o que Anna estava fazendo, fosse o que fosse, não era o que ela esperava.
Julia havia acabado de amarrar suas mãos na cabeceira da cama, sentou-se novamente em cima dela e sorriu.

- Você quis parecer comigo, ser como sou. Isso não vale muito aqui nessa cidade sabia? De qualquer forma, agora você vai conhecer melhor o que andou desejando.

- O que você vai fazer Anna? Por favor não me machuque. - Julia estava com medo.

- Você está com medo? - Disse Anna. - Não deveria, eu jamais sinto medo.

Anna colocou a mão para tráz e puxou um punhal de prata que estava preso entre sua cintura e a saia. Julia queria gritar, mas não conseguia. Ela olhava com desespero para Anna enquanto Anna levantava o punhal, com os olhos fechados.

- Anna me escuta, não faça isso comigo. Por favor. - Disse.

- Faço sim querida, faço. Você quer me conhecer? Quer ser como sou? Então é isso que você vai ter. - Anna falou e fez um corte profundo em sua mão, falou algumas palavras em latim que Julia não pôde entender. Anna esticou a mão em direção ao rosto de Julia e deixou que o sangue escorresse em sua boca.

Julia estava desesperada, não sabia o que era aquilo. Sentiu o gosto amargo do sangue de Anna em sua boca e tentou se livrar das cordas que a prendiam.
De repente Julia sentiu um forte peso sobre sua cabeça, como se algo a tivesse puxado para um sono profundo. Fechou os olhos imediatamente e embora estivesse lúcida, não conseguia abrí-los.
Seu corpo foi ficando pesado, enquanto suas costas ardiam como se alguém as tivesse queimando. Suas veias pareciam em fogo.
Suas costas doíam mais á cada segundo que se passava e ela teve a certeza de que alguém a ferira.
Soltou um grito de dor e sua voz parecia tão quente que ela sentiu como se sua garganta estivesse em chamas.

Sua dor foi cedendo aos poucos e o peso em seu corpo diminuindo. Ela abriu os olhos lentamente e viu que Anna estava no mesmo lugar, mas sua mão não sangrava mais.

- Você não sabe o que é cair! Não sabe o que é ter o fogo correndo em suas veias. Você é apenas uma vadia mortal com uma sede insignificante pelo conhecimento dos outros. Sua vida é tão frágil que eu poderia acabar com ela de olhos fechados.

- O que você fez comigo? - Julia estava quase sem voz, sua garganta ainda ardia.

- Nada além de lhe dar um pouco de mim e nada comparado ao que eu posso fazer. - Anna respondeu enfurecida. - Você não é nada além de um ser humano insignificante que se orgulha por causa de uma simples veste, você me enoja!

- O que você é? - Julia parecia incrédula.

- Não lhe interessa, não mesmo. Não á você, uma simples e mesquinha vadia.

- Me deixe ir. - Julia falou ainda com medo.

- Você vai sair daqui com vida, não precisa temer, não mais. - Anna falou e Julia sentiu que as cordas se afrouxaram de seus pulsos.

Anna se levantou e seguiu até a porta do quarto. Seus olhos pareciam mais negros do que nunca. Julia se levantou apressada e a viu de distanciar, notou quando ela virou, dois enormes cortes verticais em suas costas.
Ela ainda sentia um peso em seu corpo quando levantou e desceu a escada. Passou pela sala e as pessoas que estavam lá pareciam não se importar com sua presença.
Seguiu para fora da casa e viu que a lua iluminava o lado de fora. Sentiu medo quando pensou no caminho de volta para casa, mas temeu mais ainda em pensar em ficar ali.

******

Na porta da sala estavam Nicholas e Anna. Eles a olhavam até que ela finalmente desapareceu na escuridão.

- Ela parece ter entendido querida. - Disse Nicholas dando um gole na bebida.

- Creio que sim. - Anna respondeu.

- Você é demais. - Ele falou. - Assustou a menina mesmo.

- Eu não assustei. Ela fez isso com ela mesma. Você sabe meu amor, cuidado com aquilo... - Anna não terminou a frase.

- Que deseja. - Continuou Nicholas.

Instinto de um assassino-p por Camila Bernardini


Finalmente a sexta-feira havia chegado. Embora Lilia, Yasmin e Horjana saíssem todo fim de semana, esse seria diferente. Roeram as unhas para que esse chegasse. Seria a primeira vez que viajariam sozinhas, iam para Campinas acompanhar de perto o show da banda do namorado de Horjana. Claro que inventaram para os pais uma desculpa qualquer. Passaram o dia se arrumando, tentando controlar assim, um pouco tamanha excitação.
As três eram assim inseparáveis, na escola os professores as apelidaram de trio parada dura, viviam juntas aprontando, rindo, compartilhando momentos. Logo no primeiro ano em que se conheceram, fizeram um pacto, desses até meio infantil para selarem uma amizade eterna, prometendo umas à outra que nada as separaria. E realmente foi assim durante, os cinco anos de amizade que já tinham.
A noite chegou, as três estavam reunidas na casa da Lilia, quando ouviram o som da buzina tocando. Saltaram alegres, correndo para o lado de fora. Ao verem, porém quem buzinava em um primeiro momento se decepcionaram. Era Henry, e não o Mex, o garoto que as levaria para Campinas.
Henry ao ver as três garotas com cara de ansiedade e dasapontamento, não deixou escapar um pequeno sorriso em sua face.
- Calma meninas, como o carro do Mex ia com todos os equipamentos da banda. Ele pediu que eu as buscasse. Então todas prontas para irem?
As meninas animadas novamente subiram no carro do Henry. O início da viagem foi silenciosa, apenas o som do carro tocando o bom e velho heavy metal, que todos apreciavam. O garoto ia tendo flashes de quando conheceu as meninas. A primeira que conheceu foi Horjana, e de imediato ficará encantado com sua beleza. Seus cabelos castanhos claros, um pouco curtos, cacheadinhos; olhos pequenos quase não davam para perceber quando estavam abertos, era magra, mas bem distribuída onde tinha que ser. Logo a garota apresentou suas amigas, tão belas quanto. Lilia era baixinha, um corpo bem definido, cabelos longos, loiros e ondulados, e Yasmin tinha um corpo de modelo de passarela, branquinha, cabelos repicados, lisos e pretos. Realmente um trio de beleza pura, por onde passavam, sempre tinham uma legião de garotos atrás. Elas já haviam ficado com alguns amigos, mas nunca notaram direito Henry, o consideravam apenas um bom amigo. Isso despertava raiva no garoto, que sempre planejou uma forma de se vingar, porém nunca executou nem um plano.
No meio do caminho Henry entrou por uma estradinha de terra, que os levaria para uma cabana no meio do mato. Lugar que descobrirá fazia alguns meses. Foi no dia que soube que Horjana ficará noiva de Renato. Sentiu-se traído, a amava tanto, não sabia como ela poderia casar com outro alguém. Claro que a menina nem sonhava com esse sentimento dele por ela, mas mesmo assim ele sentia-se injustiçado. Nesse dia então pegou seu carro, e saiu andando sem rumo, até descobrir esse lugar onde as levaria. As três estranharam ao ver a estradinha de terras, totalmente sem iluminação. Lilia então, a mais desconfiada, já foi logo questionando:
- Onde está nos levando?
-Um amigo meu irá conosco, passarei na cabana onde ele mora. O lugar pode parecer meio primitivo para vocês, mas ele é uma pessoa legal.
Sossegaram diante a resposta do Henry. Quando finalmente chegaram a tal cabana, todos desceram do carro. O lugar era totalmente deserto, sem o mínimo de modernidade, nem luz elétrica existia ali. A fraca luz que existia, era um pequeno lampião pendurado na porta de entrada.
- Que horror! Estou me sentindo em um filme do Zé do Caixão- disse Yasmin.
As meninas riram. Henry bateu na porta, que logo foi aberta. Viram então um homem que aparentava ter uns quarenta anos, cabelos grisalhos, uma barba rala no rosto. Suas vestimentas, uma cala social preta, e camisa preta, com uma gravata vermelha. Parecia mesmo um ser maligno de um filme de terror.
- Então podemos ir?
- Calma Lilia, me deixe apresentar... esse daqui é Hilbert.
- Oi meninas, quero convidá-las a entrarem em minha humilde casa.
- Seria um prazer, mais vamos nos atrasar para o show do meu namorado!
- Não iremos não, ainda ta cedo Horjana. Vamos entrar um pouco.
As meninas sem alternativas entraram na casa então do amigo de Henry. A decoração da casa completava bem o cenário trash que Yasmin havia comentado. Espelhos grandes por todos os lados, com teias de aranha, e alguns morcegos de plásticos pendurados pelo teto. A luz de dentro, era apenas das chamas das várias velas espalhadas pela casa toda.
Assim que as meninas já estavam do lado de dentro, sentiram calafrios. O lugar era estranho, tão estranho, assustador. A vontade que tinham era de saírem correndo, sem nem olhar para trás.
Henry e Hilbert pediram licença um minuto, e entraram no interior do próximo cômodo da casa. Elas estavam tão incomodadas naquele lugar que nem tiveram coragem de sentar no sofá de camurça preta que estava ali, ou talvez nem tivesse reparado.
- Quero logo ir embora daqui- sussurrou baixinho Lilia.
Antes que as outras pudessem responder qualquer coisa, as velas se apagaram. A escuridão ficou total, não conseguiam enxergar um palmo adiante. Em um impulso as três gritaram ao mesmo tempo e se deram as mãos. Zunidos estranhos começaram a circular, como se fossem pequenos gritos abafados.
- Mas o que é isso? Yasmin, Lilia, vamos dar um jeito de sair daqui.
-Não, fiquem aqui. Eu vou até o outro cômodo procurar Henry e pedir para darmos o fora desse lugar assombrado.
Yasmin então soltou a mão das amigas, e mesmo no escuro tentava caminhar. Ia andando a passos lentos, com a mão na frente para evitar trombar em alguma coisa. Quando finalmente chegou ao seu destino, sentiu que alguém se aproximava dela.
- Henry?
Ninguém respondeu apenas a pegou pelos cabelos, a puxando mais para perto. Yasmin ia gritar, porém não teve tempo, uma faca já fazia um enorme corte em seu pescoço, e seu corpo morto tombava ao chão. Assim que ela fora morta, no cômodo da casa aonde se encontrava as outras amigas, as luzes das velas, misteriosamente se acenderam novamente. Uma olhou para a outra.
- O que será que está acontecendo?
- Deve ser alguma brincadeira do Henry para nos assustar Li, vamos procurar Yasmin esair daqui.
As duas então seguiram o mesmo caminho que a pouco a amiga tinha feito. Lilia então tropeçou, só assim olhando para o chão, e foi então que gritou. Um grito que ecoou por todas as paredes daquele lugar. Grito de dor, medo e desespero. Com o grito Horjana também olhou, e embora tenha ficado em silêncio sentiu a mesma agonia aflorar sobre sua pele. Ali caído ao chão, o corpo de Yasmin ensangüentado.
- Meu Deus! O que é isso Horjana?
- Esse amigo do Henry, deve ser um psicopata. Deve tê-lo matado também. Não podemos fazer mais nada pela Yasmin, vamos embora daqui.
Aas palavras de Horjana, foram baixas quase inaudíveis, já que ela tentava sufocar seu próprio choro. As duas então caminharam de volta para onde estavam para abrir a porta e saírem dali. Uma caminhava atrás da outra. Lilia que ia atrás, foi surpreendida por alguém que a agarrou, tampando sua boca, impedindo assim que gritasse. Assim a única que continuou caminhando rumo à saída, foi Horjana.
Lilia foi amarrada em uma cadeira, velha, quase caindo aos pedaços. Na sua frente estava Henry e Hilbert a olhando. Sua boca continuava amordaçada, assim não podendo emitir um único som, ou perguntar o que estava acontecendo. Viu quando Henry foi até o fogão, onde pegou a panela de água fervente. Aproximou-se mais de Lilia e antes do seu ato final, passou sua mão por entre as pernas dela que usava uma mini-saia vermelha. Sorriu. Jogou o conteúdo da panela pelo ouvido da menina e depois se divertiu em vê-la se contorcer de dor. Só daí pegou a faca que usou para matar a outra, e também fez um corte em seu pescoço. Mas uma diante dele, sem vida, sem brilho e sem aquela maldita beleza que o enlouquecerá.
Horjana ao chegar a o outro cômodo e ver que sua amiga não estava com ela pensou em voltar e procurá-la, mas algo dizia que já era tarde de mais. O melhor a fazer seria fugir dali, antes que não sobrevivesse também. Abriu a porta, por onde entrará no inferno, e perderá suas amigas e começou a correr. Tão desesperada que estava nem pensou em pegar o carro que continuava estacionado ali para fugir. Corria por entre a estrada de terra, até ficar sem fôlego, sendo obrigada a parar e se recompor. Assim estava, quando viu uma luz de lanterna se aproximar. Ia correr, mas logo reconheceu as feições. Era Henry. Correu até ele e o abraço desesperada.
- Pensei que tivesse morto!
Ele então se soltou dela e sorriu. Horjana percebeu o sorriso e o brilho estranho no olhar, virou as costas para correr. Mas ele a segurou firmemente. Segurou o rosto da garota com as mãos e forçou um beijo, enquanto com a outra mão rasgava o vestido que ela usava. Ela gritava desesperada para que ele a soltasse.
Henry então a jogou no chão, extasiado com a cena que via. Horjana sempre tão bela, sempre tão cheia de pose, jogada ao chão, violentada, com a roupa rasgada, implorando pela vida. Do casaco de sua blusa tirou mais uma vez sua faca e lentamente foi a cortando. Primeiro a barriga, depois os seios. Ela tremia a dor não era tão intensa, mas o medo que sentia era tão forte e intenso que não conseguia deixar de transparecer.
- Minha bela, por que aceitou causar com o idiota do seu namorado? A morte de suas amigas, como a sua, será exclusivamente culpa sua!
- Seu louco!
Ele fingindo-se de ofendido, pressionou sua mão por entre as pernas da garota, enquanto lambia-lhe os ferimentos já feitos.
-Sou louco por você anjo.
Com a faca na mão, cortou o pescoço dela, a largando sem vida, ali mesmo na estradinha e caminhando de volta em direção ao carro. Hilbert o estava esperando, sentado no capô. O homem quando o viu apenas sorriu, e entrou de volta em sua cabana. Henry então abriu a porta mala de seu carro, jogando o corpo de Mex ali no chão e em seguida entrado no carro e dando partida, ido embora para sua casa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Beijo de Morte - Por Denny Guinevere Du Coudray


Pela vidraça da janela podia-se notar a figura de uma criatura tão humana e frágil sentada na cama imersa em pensamentos, perdida em lembranças.
A jovem levantou-se ficando de frente ao espelho, estava despida e permaneceu um tempo admirando as curvas bem torneadas de seu próprio corpo. Não passou despercebido por ela duas lágrimas que rolavam involuntariamente sobre sua face.


O dia começava a findar no horizonte distante. Os preparativos de acabamento estavam em pleno caminhamento para a noite mais esperada do ano em um dos salão mais divulgados e procurados da região, os preparativos estavam por acabar. O tal evento começaria em três horas e os organizadores acertavam os últimos detalhes acelerando a terminação de seu trabalho exaustivo, mas gratificante.
Esta não era uma noite comum, uma presença importante compareceria dentre os convidados.
Faltando uma hora para começar o evento, o Lord Agnosth cruzou os portões que levavam a pista de dança e cumprimentou o dono do local com um aceno vago. O Lord desceu as escadas e direcionou-se ao balcão pedindo uma dose de absinto, que sorveu em um gole somente sorrindo com satisfação.


Na estação de trem, Polyana aguardava ansiosamente a chegada de sua nova amiga. Há dois dias vinham se comunicando por internet e telefone. Sara era prima do Lord Agnosth e Polyana teve que convence-la a ir ao Teatro dos Vampiros junto com ela.
Quando esta chegou por fim, Polyana sorriu não escondendo seu contentamento ao beijar-lhe a face carinhosamente.
__ Temia que não viesse Sara.
__ Não viria se não fosse por você, estou meio doente e queria repousar em minha casa, mas você foi tão gentil que sabia que não poderia deixá-la sozinha. Está ansiosa para conhecer meu primo?
Polyana balançou a cabeça negativamente, algo no Lord a deixava agoniada. Queria conhecê-lo, porém tinha um certo receio. Não podia demonstrar suas fraquezas para Sara. Seria injusto com ela mesma.
__ Nem tanto. Pensei que estaria bem mais ansiosa.
Sara deu uma gostosa gargalhada, sabia que ela estava mentindo. Foram conversando alegremente até o local, a fila estava enorme devido à presença do Lord naquela noite. Polyana não escondia sua agonia e demonstrava nos olhos lacrimejados e nas mãos tensas que não paravam de mexer em qualquer coisa em seu alcance.
As duas amigas atravessaram o salão escuro e sombrio, Polyana desceu as escadas com dificuldade por não ter se adaptado ao ambiente. Quando ela ergueu os olhos e avistou de longe o Lord ela emudeceu. O rapaz tinha 1,85. Cabelos negros e compridos chegando aos ombros, ele usava uma cartola elegante e uma roupa a caráter de sua fama. Polyana sentiu o coração acelerar numa agonia constante, ele era completamente perfeito.
__ Você esta bem querida?
__ Sara, não vou conseguir. E se ele não gostar de mim?
__ Calma anjo. Você esta comigo, ele a receberá como uma conhecida. Não tem que se preocupar.
Após falar aquilo, Sara pegou nas mãos da amiga e forçou-a a segui-la. Ela relutava, mas Sara era insistente e puxou-a com mais força. Quando se depararam defronte com o Lord, Sara cumprimentou-o com carinho, ser prima do Lord dava uma grande satisfação a ela por ter sempre a atenção dele para si.
__ Quero que conheça minha amiga Agnosth, Polyana.
__ Muito prazer minha jovem.
O Lord levou as mãos dela aos lábios beijando-lhe de forma cordial e charmosa, Polyana lutava contra os sentimentos e demônios que temiam em fugir como cavalos selvagens.
Ela esforçou-se ao máximo para não dar importância ao Lord que a observava como um animal faminto pronto a atacar sua presa, ela sabia que ele era diferente, porém ignorava o fato dele ser um vampiro de verdade.

No decorrer dos momentos prazerosos entre os convidados que bebiam e conversavam alegremente, Polyana notou o Lord contemplando-a. Ele que estava encostado no balcão levantou-se e foi até ela, pegou-a pela cintura e beijou-lhe a boca. Os lábios do Lord percorreram os ombros da jovem que gemia ao seu toque ignorando as pessoas à volta que fingiam não notar a reação dos dois.

Os dentes afiados do Lord rasgaram seus lábios sem que ela notasse o ocorrido, ele lambia com satisfação o líquido rubro que permanecia nos lábios da dela.
“Cruel e perverso! Este é o homem que esta contigo neste momento, Cuidado ele é perigoso” – pensava ela em determinado momento. Mas as mãos fortes dele e o beijo ardente eram mais convincentes do que seu subconsciente que se manifestava mais uma vez para atormenta-la tentando tirar-lhe o prazer de estar nos braços de Agnosth.

O Lord a conduziu até a pista de dança. Polyana parecia enfeitiçada ao seu comando.Começaram a se mover lentamente, o Vampiro a conduzia no ritmo da música e ela de olhos fechado deixava-se conduzir. O vampiro afastou os cabelos do pescoço dela enquanto ela se contorcia de tesão ao toque dele em sua pele alva.

O vampiro beijou o pescoço movendo suas mãos frias em seu corpo saciando sua sede carnal. Ele mordeu-lhe a região do pescoço e sentiu o sangue rubro em sua boca, entregue ao amante Polyana não se assustou com o acontecimento. Ela sabia o que viria depois disso.

Agnosth olhou-a com certa amargura, soltou a moça antes que ela ficasse fraca e não pudesse recompor a saúde que estava se esvaindo. De certa forma ele não conseguia matar a humana como fizera outras vezes.
__ Porque não termina o que começou Lord? – dizia ela em prantos.
__ Não consigo. Tem algo em você que me retrai.
__ É o amor que sinto por você.

O Lord afastou-se dela e foi embora. Aquela menina imprudente não sabia o que havia dito, amar um ser cruel. Era possível? Com certeza ela não sabia onde estava se metendo, dessa vez não a matou, mas se viesse a encontra-la terminaria o serviço. Mesmo ela tendo algum significado em seu coração para ele desde o momento em que beijou a boca macia e sedenta da jovem humana.


Polyana chorava compulsivamente fazia dois anos que amava o Lord Agnosth com certa ternura, sabia que ele era cruel e maldoso, não fora feito para ser amado. Em lágrimas e sussurros ela disse como que para justificar a dor que ele causava involuntariamente.
__ Eu o amo e nunca deixarei de amar. Mesmo você não merecendo este amor entrego para você. Um dia nos encontraremos Lord, e neste dia serei boa o suficiente para saciar sua sede acabando com meu sofrimento de uma vez.


Ao ouvir estas palavras o Lord afastou-se da janela de seu quarto, fazia algum tempo que ele vinha toda noite espiá-la pela janela enquanto ela se lamentava pelo sentimento que nutria em suas veias.
Um Sorriso formou-se nos lábios dele, por certo esta garota havia mexido com seus pensamentos, e um amor impossível nascia entre ambos. Sofreria calado, não podia dar o luxo de amar uma humana, Polyana nunca iria descobrir seu amor fraco e involuntário por ela, iria esquecer nem se fosse preciso tirar-lhe a vida matando-a cruelmente.


(Homenagem á duas pessoas que sempre estiveram em minha vida).

Morgana- por Camila Bernardini


Vanessa estava sentada na janela do seu quarto, observando as folhas das árvores, que lentamente balançavam seguindo o ritmo do vento. Olhou para as nuvens no céu, estavam escuras e pesadas. Logo choveria. O dia estava quase que perfeito, não sentia vontade de fazer nada, queria passar o dia todo assim, naquela janela. O seu celular tocou, pelo toque já sabia ser Carlos, sorriu, adorava escutar a voz dele, principalmente logo pela manhã.
Falou pouco no telefone, o bastante para deixá-la irritada. Não irritada com Carlos, mas com Morgana, uma mulher misteriosa, que ninguém sabia realmente sua identidade, a única coisa que sabiam dela era que tinha do nada, sentido uma súbita paixão a Carlos, prometendo a ele as loucuras mais ousadas. O que a irritou mais ainda, foi saber que ela disse que a única mulher que servia para ele, era ela mesma.
Intrigada sobre essa mulher, Vanessa tentava de todas as formas descobrir o que ela realmente queria, sem, contudo conseguir respostas que não fossem de todo superficiais. Já tinha até procurando uma detive que pesquisou o que pode de Morgana, mas nada verdadeiramente útil.
Escutou seu celular tocando, novamente era Carlos
- Tenho uma novidade?
- Qual?
- Vou me encontrar com Morgana, finalmente saberei quem ela é.
- Você me parece muito empolgado, para quem disse não estar interessado.
- Só quero descobrir a identidade dela, não precisa ficar com ciúmes.
- ...tá!
- Vou encontrá-la hoje, naquele apartamento perto do Vila Lobbos.
- Divirta-se!
Vanessa, em um ataque de fúria desligou o telefone na cara dele. Homens, ele poderia até sim amá-la, mas naco resistiria aos encantos daquela mulher, que nem tinha coragem suficiente de dizer quem era realmente. Talvez fosse feia! Riu de si mesma, com seus pensamentos infantis de ciúmes, afinal não era assim.

2
Carlos chegou a seu apartamento, às dez da noite. Estava com uma grande expectativa sobre o que aconteceria naquela noite. Afinal, pelo pouco que teclará pela internet com Morgana, ela parecia ser uma mulher cheia de encantos e com certeza sabia agradar um homem na cama.
A campahia tocou, seu coração disparou. Só podia ser ela, que tinha chegado. Abriu a porta, e se espantou com tamanha beleza da mulher a sua frente. Sua pele era alva, branquinha como a neve, lábios carnudos e vermelhos, olhos de um tom azul que pareciam lentes. Seus cabelos negros, compridos desciam por toda sua cintura. Ela estava vestida com uma mini saia preta de couro, que deixavam a mostra suas pernas bem torneadas, fazendo com que aumentasse seu desejo por ela, usava um corpete vermelho, bem coladinho ao corpo, que mostrava muito bem suas curvas e seus seios bem fartos.
- Então vai me convidar a entrar ou não?
- Me desculpa, entre. – Carlos respondeu meio sem graça, ficou tempos a admirando na porta, quase que hipnotizado, que se esqueceu de convidá-la.
Morgana sorriu ao escutar o convite e entrou mesmo seu salto sendo agulha não fez barulho no piso de madeira, era como se com sua leveza flutuasse, e não caminhasse como o resto dos mortais. Nem poderia como uma beleza tão exótica como aquela poderia ser comparada com um ser qualquer.
-Sinta- se em casa minha ninfa.
Ela apenas jogou um olhar para Carlos, foi até a estante da sala onde estavam os CDs. Pegou um do Eric Clapton, e colocou no aparelho, escolhendo a faixa doze cocaine! Começou a dançar insinuando-se para Carlos, e aos poucos tirando sua roupa. Ele assistia tudo, se m nem sequer conseguir desviar o olhar. Sabia que tinha prometido a Vanessa, não traí-la, mas a tentação era forte.
Morgana então se aproximou de Carlos, o beijando, um beijo quente e prometedor, enquanto suas mãos escorregavam por entre as pernas dele. Ele a pegou no colo estranhou por um momento sua pele fria, mas o desejo continuava forte, e a levou para seu quarto, a deixando deitada em sua cama. Ela o puxou para si com muita força, beijando levemente seu pescoço. Carlos estremecia a cada toque. Quem seria aquela mulher que o estava deixando louco? Foi então que sentiu leves mordidos em seu pescoço, e uma dor pequena vindo de onde ela o mordera, passou a mão em seu pescoço, viu que algo escorria dali. Levou a mão onde pudesse ver sangue! Assustou-se, tentou levantar da cama.
- Tarde de mais, meu Lord!
Morgana o derrubou, para que ficasse deitado na cama, e subiu em cima do seu corpo, prendendo as mãos dele para cima, assim não teria movimento, enquanto ela sugava seu sangue. Mesmo a beira da morte, Carlos não entendia como podia sentir tanto prazer, ao ponto de gozar. Ela sorveu a última gota de sangue, o deixando morto na cama. Sorriu, homens sempre eram presas fáceis de mais.

três

Vanessa sabia que não conseguiria passar a noite em sua casa, pertubada e com medo que por outra maldita mulher, Carlos a largasse. Nunca fora insegura desse jeito, não sabia o que estava realmente acontecendo, mas mesmo achando errado decidiu de que iria atrás dele no apartamento. Afinal, ela também tinha curiosidade em saber quem era Morgana. Pegou suas chaves e saiu.
Chegando ao apartamento, o porteiro que já a conhecia, deixou-a subir normalmente. Vanessa pegou o elevador com o coração levemente disparado, era uma mistura de ansiedade com angústia sem fim. Chegando ao andar destinado, bateu na porta, para sua supressa e maior mal humor, quem abriu a porta foi a cuja mulher, que a deixara nesse estado de insegurança. Olhou muito tempo para Morgana, realmente bela.
- Onde está Carlos?
Morgana não respondeu, aproximou-se de Vanessa, que estremeceu com o quase contato. Ficou assim perto dela, levou suas mãos ao cabelo de Vanessa e o acariciou, descendo pelo pescoço, escorregando por seus seios, até ir para as pernas, onde a mão podia passear livremente, já que o vestido tornava as coisas mais fáceis.
Vanessa tentou se afastar, mas nunca sentiu tanta excitação, com o toque de alguém. Será que todo esse tempo ela gostava de mulher e não sabia? Morgana, voltou as mão acariciando os lábios dela, e dessa vez o toque foi correspondido. Vanessa afastou as mãos a beijando com violenta fúria, e paixão. As duas se amaram ali mesmo na entrada da porta do apartamento. Vanessa se entregando aos mais diversos toques, descobrindo mais sobre seu corpo e seus desejos. Exaustas, caminharam até o sofá da sala onde deitaram.
- Minha doce criança.
Vanessa olhou para aquela voz tão doce, e ao escutá-la sentiu vontade de beijar Morgana novamente, ela porém afastou os lábios, o encostando no pescoço de Vanessa. Cuidadosamente sugou um pouco de seu sangue, fazendo assim com que as duas entrassem num orgasmo, cheio de explosões de prazeres inimagináveis.
As duas então adormeceram abraçadas. Vanessa então esqueceu seus reais motivos de ter ido até ali, estava completamente apaixonada por aquela vampira. E sim, a alimentaria sempre, depois de se amarem

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Preço alto- por Camila Bernardini


"Qual o preço da imortalidade?"


Gabriela se encontrava um pouco embriagada, em uma das mãos uma garrafa de contine e na outra seu cigarro queimando. Estava sentada em uma das muitas praças de sua cidade, olhando as outras pessoas que riam, parecendo não ter problema nenhum. Ela queria se sentir feliz assim, mas fazia seis meses que ao conseguia. Desde que conhecerá Heitor, passava noites em claros. Os dois se encontravam algumas vezes, conversavam sempre. Ele correspondia ao amor dela. O que a tornava infeliz era o fato dele ser casado. Sabia que nunca poderia tê-lo realmente. A angústia no coração de Gabriela era forte, sempre que se pegava imaginando que não era ela que dormia todos os dias ao lado dele. Que talvez nem fosse ela que estivesse com ele nos momentos de sua glória e claro no de suas derrotas, não podia compartilhar com ele detalhes que acontecessem na madruga.
Sentia-se só, e não tinha muitas opções de com quem compartilhar esse sentimento, já que Heitor era uma pessoa bem conhecida, e ela não queria por em risco a reputação dele. Reputação sorriu com certa ironia, ao vir esse pensamento em sua cabeça; Será que para o amor também existem regras e etiquetas? Justo ela que não se importava com essas coisas, se via obrigada a esconder seus sentimentos. E sabia que eternamente o amaria calada, e que mesmo quando não estivessem mais nesse mundo, quando o que restará deles forem o pó dessa existência, mesmo assim ninguém saberia que existiu um amor por parte de ambos.
Levantou da praça para caminhar entre ruas escuras e desertas, onde apenas algumas pessoas amantes da noite como ela, se aventuravam. Sentia-se levemente embriaga, era como se flutuasse em vez de caminhar. Queria tanto que seu amor fosse imortal. Havia sim, apenas um jeito para que isso acontecesse, mas teria um risco muito grande apagar. Talvez Heitor nem ficasse feliz em saber que um elo de amor e imortalidade seria feito, talvez ele quisesse, como uma pessoa normal, viver e morrer. Morte, o ciclo inevitável da vida. Existem coisas tão belas e profundas que nunca deveriam morrer. Deveriam ser eternas para que todos conhecessem. Para que todos pudessem, saborear... Mas não, Gabriela tentou afastar esses pensamentos, afinal o amor por si só já era eterno não? È uma energia que sai de dentro de cada ser humano e compactua com o todo.
Para tentar se acalmar um pouco, amenizar a angústia que estava sentindo, resolveu ligar para Heitor. Ficaram alguns minutos conversando, mas quando desligaram cada um de certa maneira se sentiu mais angustiado, melancólico. Gabriela nem lembra como a conversa surgiu, o que sabia era que ele havia dito que odiava a si mesmo por sua idade, e que tinha medo de que a morte os separasse. Enquanto ele falava aquelas palavras tão mórbidas e que feriam o coração dela, algumas lágrimas escorriam por entre a face dela. Foi então que decidiu pagar um preço alto, para eternizar o amor, e eternizar a vida dos dois. Para que tivessem todo o tempo que quisesse, vivessem quantas épocas e eras pudessem, e para que todos conhecessem o amor deles, um amor capaz de mudar, moldar e transformar tudo ao redor.
Gabriela chegou a sua casa ansiosa, mesmo com medo de sua idéia decidiu executá-la, não podia por em risco um dia ver o fim da pessoa que mais amava. E acabaria se sentindo menos solitária, tendo com ele um pacto de vida eterna. Seria eternos um para o outro, por isso, ela esperaria o tempo que fosse necessário para tê-lo de uma vez por todas, para ser ela a dormir ao lado dele e passar noites em claro só para vê-lo dormir.
Desceu as escadas onde a levaria para o porão de sua casa, ali guardava todo o seu material mágico e era aonde executava a maioria de seus rituais e feitiços desde que descobriu seus poderes e de que era uma bruxa. Pegou em uma prateleira, seu caldeirão, alguns óleos e essências e seu tão preciso atame. Levou o caldeirão ao pequeno fogão que havia providenciado ali para essas ocasiões. Misturou os ingredientes que pegou, com um pouco de água. Esperou por cinco minutos e desligou do fogo. Foi ao centro do porão, onde já estava desenhado seu eterno pentagrama, acendeu em volta dele algumas velas vermelhas e pretas. Depois seu incensário que foi para o meio do pentagrama, onde queimava um incenso de rosas brancas. Finalmente jogou o conteúdo do caldeirão em volta dos contornos do pentagrama, e sentou-se no chão. Com os olhos fechados, mentalizou duas fogueiras queimando, e no meio dela surgiu Marlon, seu demônio pessoal. Pela primeira vez na vida, ele apareceu sorrindo. Um sorriso diabólico que assustou Gabriela.
- Veja querida, você me invocando em uma sexta-feira a noite, dia que costuma estar por aí se divertindo com seus amigos. O que deseja?
- Quero que torne eu e o Heitor em imortais!
Marlon riu, com sua gargalhada gélida, riso de ironia, que no fundo não exprime nenhuma felicidade. Seu destino era ser escravo de Gabriela, até o dia que ela mesma decidisse o libertar, e claro que não faria isso. Já que vivia invocando-o para pedir pequenos favores, conselhos ou mesmo para conversar. Os humanos eram mesmo insolentes, pensava ele. Não sabia que quanto mais invocavam demônios mais infelizes suas vidas se tornavam? E que mais escravos eles ficavam do poder, ambição e trevas? O pedido que aquela garota, agora fazia, exigiria um preço muito alto. Ele pediria sua liberdade e depois ainda se vingaria daquela estúpida.
- Claro minha querida. Para quando vai querer isso?
- Agora mesmo se possível.
- Dessa vez exigirei um preço alto, quero minha liberdade em troca.
Gabriela se espantou no começo com o pedido, mas assim que tivesse seu amado ao seu lado, não precisaria mais daquele diabrete infeliz.
- Tudo bem.
- Então, sente- se no meio do pentagrama e corte um pedaço do seu pulso.
Ela pegou seu atame e fez um leve ferimento em seu braço, onde filetes de sangue escorriam. O demônio ficou olhando extasiado. Materializou-se no porão, e encostou-se a ela, absorvendo o sangue com sua pele, um pouco escamosa e gélida, tão gélida que acabou causando repugnância em Gabriela. Ele conjurou algumas palavras estranhas. Logo todo o porão tremia, e vultos pretos corriam por todos os lados. Risos vindos do inferno, pessoas chorando, barulhos enlouquecedores completavam o cenário horripilante para quem não estivesse acostumado. Marlon então a beijou foi um beijo breve, mas que fez com que o corpo de Gabriela flutuasse alguns centímetros. Ela que estava em posição de lótus, divagar passou a ficar deitada, ainda no ar. Perdeu a consciência por momentos. Nesse tempo seu espírito vagava no mundo da morte e no da vida, as duas fontes a rejeitaram. Assim seu espírito voltou ao corpo, que estremeceu, como se estivesse levando pequenas descargas elétricas entre o terceiro olho, umbigo e coração. Após esses sintomas, seu corpo desceu de volta ao pentagrama. Parecia que tinha corrido uma maratona, tamanho o cansaço que sentia. Abriu seus olhos, encarando o grande espelho que tinha no porão. Parecia estar mais bonita, uma pele mais branca e alv. Nenhuma cor. Estranho, fora esse acontecimento não se sentia diferente. Nem imortal.
- Não se preocupe minha querida, agora você será um anjo das trevas. UM anjo noturno, belo e imortal.
- E Heitor?
- Estou indo agora mesmo cuidar dele, e depois não voltarei. Será minha liberdade.
- Sim...
Marlon então desapareceu diante os olhos dela.

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Heitor estava em seu quarto, na frente do seu computador, escrevendo mais um de seus contos, escrevia um novo conto para retratar seu medo da morte e de deixar Gabriela só. Assustou-se quando a luz de sua luminária apagou, foi tentar acender novamente, mas dessa vez foi o computador que desligou. Ele xingou, nem tinha salvado o que tinha escrito e como se esquecerá de ativar o recuperador automático do programa, provavelmente tinha perdido tudo. Logo voltou a sua concentração na luz, tentou acender a lâmpada do quarto e nada. È, talvez tivesse acabado a energia. Levantou de sua cadeira, foi procurar uma vela em sua cozinha. O corredor que tinha que percorrer para chegar até a cozinha parecia assustador sem iluminação nenhuma. Foi andando em passos lentos, com medo de naquela escuridão, acabar tropeçando em algo.
Foi então que sentiu algo passando por ele. Assustou-se, as passadas de seu coração aceleram forte. Será que alguém estaria assaltando sua casa. Pensou em chamar a policia, mas esquecera o celular no quarto. Voltou então até lá. Tateou com a mão a mesinha onde deixara seu celular. Discou os primeiros números, quando algo muito forte puxou o celular, esse indo parar de encontroa parede.
Heitor nem teve tempo de pensar, um vento frio cortava todo o seu corpo. Não sabia de onde vinha esse vento, já que todas as janelas e portas da casa estavam fechadas. Tentou ainda manter a calma, mas suas pernas visivelmente tremiam. Estava com medo. Foi então que choques elétricos foram recebidos por todo o seu corpo, e quando percebeu seus pés saiam do chão. Estava voando. Como era possível? A luz do seu quarto então se acendeu. Olhou para frente e quase gritou com o que viu. Uma mistura de ser humano com touro. Minotaurto? Mesmo em pânico gargalhou com seu pensamento idiota. Mitologia grega eram apenas mitos. Mas aquilo tudo que estava acontecendo já era surreal por que não?
_ Não Heitor... sou pior que isso.
- O que é então?
- Sua amada Gabriela quis tornar-se imortal, mas para isso sempre precisa sacrificar a vida da pessoa que quem escolheu ser imortal mais ama. Por isso vim, para que ela possa desfrutar de sua vida eterna.
- Ela não faria isso comigo.
- Realmente não, mas ela não sabia o preço alto que pagaria.
Marlon caminhou até onde o corpo de Heitor estava, e como esse continuava no ar o tornava vulnerável a qualquer ataque. Ele então tirou o atame que estava escondido dentro de uma bolsa que carregava. Era o atame de Gabriela. Vingança perfeita. Sorriu, antes de terminar o que faria. Com as duas mãos segurando firme o cabo daquela faca, cravou no coração de Heitor. Esse que logo, começou a agonizar de dor. Vendo sua luz de vida ir embora. Nem pode clamar por ela. Nada pode fazer.
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Quase no fim da madrugada Gabriela escutou batida em sua porta. Sorriu, achando ser seu amado, que vinha comemorar a nova “vida” dos dois. Ao abrir a porta, porém se assustou ao ver um homem uniformizado, com o emblema da policia.
- Posso ajudar?
- Você esta presa!
- Presa?
- O corpo do seu amante Heitor foi encontrado, e o instrumento que o matou possuía unicamente suas digitais.
- O Heitor esta morto?
Gabriela sem se importar com areação do policial sentou no chão, ali mesmo, na entrada de sua porta e começou a chorar. Foi só então que se lembrou da verdadeira condição de se tornar uma imortal. Chorou desesperada. O que seria de sua vida sem ele? Viver a eternidade, sabendo que era culpada pela única pessoa que amou. Nada adiantaria agora. Foi então que sorriu. Talvez pudesse trazê-lo de volta, mas teria que esperar exatamente cem anos para isso. O que seria cem anos, para uma vida eterna?
O policial algemou-a e conduziu até a viatura. Estranhou a reação daquela mulher, no começo até achou que ela seria mesmo inocente. Mas logo que passou o choro de breve momento, viu nos olhos dela um brilho e nos lábios um sorriso incontido. Decidindo-se assim levá-la. Gabriela ia absorta, apenas pensando nos cem anos que viveria se preparando para encontrar seu amor.

sábado, 16 de agosto de 2008

Blog insônia

Os 4 elementos divulgado no blog insônia

Um dos blogs mais importantes da cultura pop divulgou o trabalho dos escritores do blog Os 4 elementos.

http://bloginsonia.wordpress.com/2008/07/25/curtas-blog-4-elementos/

agradeço a divulgação e aos escritores que sempre colocam ótimos textos no grupo.

abraços
adriano siqueira

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cortejo Funébre- Camila Bernardini


"Essa poeisa foi escrita á muito tempo,mas ela parece que foi escrita a um segundo atrás"

Cortejo Funébre

Você era meu rei

Eu era a sua rainha

Nosso amor foi nosso castelo

Sua vida foi a minha

Sem vc sou soberanade um castelo vazio e triste

Tristeza de saber que já não me ama

Me perco nos becos sem saída

Essa angústia que me chama

estou de luto pela minha própria morte

Em meu peito está aprisionado a dor

Já não consigo ser tão forte

Nem esquecer a droga desse amor

Feroz da angústia que não termina

Não se aquetas

Este é o lamento funébre que me acompanha

O cortejo da minha infelicidade

Meu corpo ainda viveassombrado pela saudade

Mas a minha alma já esta morta

Sem nenhuma piedade

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Uma vistita a Dire Straits- por Camila Bernardini


Camila estava andando em alta velocidade em sua moto, por uma estrada que não sabia nem onde a levaria. A noite já ia alta, mas era assim que ela gostava o sabor da adrenalina com a mistura dessa vida noturna, combinação perfeita. O vento batia forte em seu rosto, mas não a incomodava, pelo contrário, á fazia se sentir a pessoa mais livre do mundo. Olhou uma placa que dizia, há duzentos metros entrada para Dire Straits. Não conhecia essa cidade, e decidiu ir até ali, vê se encontrava um bar, e alguém legal para conversar.
Logo à frente, viu a entrada da cidade, diminuiu a velocidade de sua moto, e foi vagando pelas ruas, até encontrar uma espécie de bar que ainda estava aberto. Procurou onde estacionar sua moto e entrou no bar. Observou as pessoas, todas estranhas. Não sabia o porquê de achar aquilo, vai ver que o cansaço já estava fazendo imaginar coisas. Aproximou-se do balcão e pediu uma garrafa de vinho. O garçom logo trouxe a garrafa e um copo, ela sentou em dos bancos, acendeu seu cigarro e bebia. Rolava um som legal, no momento estava tocando speak to me do pinck floyd. Psicodélica total, até que combinava com aquele bar e as caras estranhas.
- Você tem um isqueiro?
Camila então saiu do seu transe momentâneo, e olhou para a garota que pedia isqueiro, acabou se impressionando com a beleza da menina. Estendeu o isqueiro a ela e ofereceu:
- Sente aqui comigo, podemos beber e conversar. Qual o seu nome?
- Tamara.
Tamara era de poucos amigos, uma pessoa fechada e reservada, mas também havia gostado da garota, sentiu que dali poderia nascer uma grande amizade. Camila continuava a olhando, sabia que aquela menina tinha um poder muito grande dentro dela de seduzir as pessoas.
-EntãoTamara, você mora aqui em Dire Straits?
- Moro sim e você?
- Na verdade estou a passeio, estava voando com minha moto pela estrada, quando vi a entrada para essa cidade. Fiquei curiosa.
-Então não conhece nada, nem ninguém aqui?
-Não.
-Mas tarde encontrarei uns amigos em um antigo parque abandonado daqui, era uma reserva florestal. Gostaria de ir?
- Adoraria!
Camila pegou mais um copo com o garçom, e enquanto bebiam, conversaram contando um pouco sobre suas vidas.
- Cá, vamos encontrar o pessoal?
- Vamos de moto?
- Pode ser.
Antes de partirem as duas compraram alguns maços de cigarro e garrafas de bebidas para levarem, colocando tudo na mochila que Tamara carregava.
O parque era em um canto meio afastado da cidade, mas não demoraram a chegar. Encontraram os amigos de Malina a esperando, no que antes parecia ter sido o portão principal dali.
-PÔ, Tamara , demorou!
- Passei em um bar antes, pessoal essa aqui é a Camila.
Um por um foram apresentados. Tiago, e Renan, dois meninos irmão gêmeos, mas não chegam a ser idênticos, super simpáticos e uma garota Laíz, magrela, estranha. Pelo menos foi o que Camila pensou. Feita as apresentações entraram no parque e começaram a caminhar por entre as árvores, o chão estava coberto por um mato alto, sendo que não conseguiam ver onde pisavam. Foram se aprofundando cada vez mais para dentro do parque, até acharem um local, onde conseguiriam sentar. Laíz então tirou um pano vermelho de sua bolsa, estendendo-o para que o pessoal sentasse.
Tamara e Camila, porém decidiram continuar um pouco mais a exploração, achando uma trilha estreita, que parecia ter sido usada há pouco tempo, talvez por algum curioso como eles ali. Decidiram seguir aquele caminho. A trilha parecia não ter fim. As duas caminhavam silenciosas, quando perceberam uma clareira e vozes vindas um pouco mais a frente. Andaram pé ante pé, até chegarem bem perto do lugar. Escondidas atrás de umas pedras viram uma grande mesa de mármore no meio daquele local, onde uma criança que aparentava ter uns cinco nos de idade estava deitada, aparentando dormir, e várias pessoas em voltas, encapuzadas com uma túnica preta, todas as túnicas tinha um pentagrama vermelho desenhada.
Mais a frente da mesa, tinha algo parecido uma espécie de altar, meio coberto por cortinas negras e de onde estavam não conseguiam ver o que tinha ali, só dava para ver que tinha uma pessoa próxima, também vestida com túnica, mas vermelha em vez de preto. Essa pessoa demorou algum tempo ali, até que se aproximou dos outros na mesa de mármore onde estava a criança.
Foi então que as meninas viram, a pessoa segurava uma espécie de punhal em sua mão esquerda, que logo ergueu ao céu, deixando o nessa posição enquanto recitava umas palavras, parecidas com o hebraico. Terminadas as palavras, as outras pessoas ali pareciam entrar em um transe, uma espécie de êxtase, se movimentando para frente e para trás, fazendo sons com suas bocas, parecidos vir do próprio inferno. Não muito demorou e o punhal descia em direção à criança, não chegando até o fim em seu destino pelo grito:
- Não- que as duas garotas escondidas gritaram ao mesmo tempo.
A pessoa de vermelho assustou-se derrubando o punhal. A criança deitada sobre a mesa, com o grito parecia ter saído do seu sono ou transe, levantando da mesa e chorando. Enquanto os encapuzados de preto agarraram-na para que não fugisse. Alguns outros foram na direção das meninas, que começaram a correr.
Tamara que estava com uma bota preta, cano longo e salto agulha, tropeçou caindo.
- Merda.
Camila então voltou para socorrê-la, quando os Encapuzados de preto as agarravam, e as puxavam para o centro de onde tudo aquilo acontecia. Com a claridade, viram que todos os vestidos com túnicas negras eram homens, a única mulher era a de vermelho. Devia ser sacerdotisa daquela seita.
Colocaram-nas no centro da mesa de mármore?
- Como ousam atrapalhar- nos?
Era a mulher que falava mais sua voz parecia mais a de um demônio em fúria. - Quem são vocês? – perguntou Camila.
- Se eu te disser, terei que te matar!
Foi então, que um dos encapuzados que seguravamTamara, percebeu que ela sangrava um pouco no joelho, talvez devido à queda, ficou mais uma vez extasiado, como minutos antes quando estavam prestes a sacrificar a criança, que continuava descontroladamente chorando. Os outros vendo o sangue, também começaram a entrar no mesmo ritmo. Um deles passou a mão sobre o ferimento dela, logo em seguida levando-o a seus lábios para sentir um pouco do sangue.
Camila olhava a tudo horrorizada sim já tinha lido algo sobre uma seita de satanistas, que faziam sacrifícios humanos, em troca de algumas coisas com demônios. Geralmente na hora dos sacrifícios, o espírito dos humanos se retirava, deixando o corpo aberto para receber legiões de entidades do mal. Entrou quase a beira do desespero, não via como sairiam dali livres, sendo que não havia relatos de pessoas que encontraram ou participara dessa seita, e conseguiram sair. Foi ficando tonta, sentia sua visão escurecendo, não queria desmaiar, mas era como se não tivesse mais forças, como se sua vitalidade do nada tivesse desaparecido. Caiu no chão, desmaiada.
Tamara escutou todos gargalharem, sentia calafrios. Era como se estivesse de novo, enfrentando uma segunda viagem ao inferno. Logo as gargalhadas, tornaram-se sons indistintos. Sentiu que as mãos que as seguravam, não estavam mais ali, correu até onde sua nova amiga tinha caído. Olhou para a criança que tinha parado de chorar, a pequena menina também a olhava, com um sorriso estranho nos lábios, veio em direção daTamara, e a tocou no braço. Ela não suportou o contato, algo ruim parecia ter penetrado toda sua pele, e caiu desacordada do lado do corpo de Camila.
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Algumas horas depois Tamara despertou, e viu que Camila também acordava. Estranhamente estava no começo da trilha que tinham encontrado. As duas se olharam por um momento, tentando confirmar, que não estavam loucas. Pela cara de espanto, não precisou de palavras, para saberem que era verdade, que tinham vivido um horror por uns momentos. Deram as mãos e caminharam de volta onde seus amigos, tinham ficado.
- Desculpem a demora gente para voltar. Preocuparam-se? –Tamara perguntou.
- Você deve estar de piada NE Tatá? Não passou nem cinco minutos desde que vocês nos deixaram aqui! – Renan respondeu rindo, achando que as garotas tinham ficado com medo de se aventurarem sozinha no meio daquela mata toda.
- Como?
- Gente, que tal irmos para um bar, não tem nada aqui. – Era Camila que falava, enquanto piscava para sua nova amiga.
Todos concordaram, saindo dali. Foram parar no mesmo bar em que horas atrás Camila e Tamara haviam se conhecido, ficaram até os primeiros raios de sol surgirem conversando e bebendo.
- Bom gente, está na hora de eu pegar minha moto e voltar para casa.
Todos a acompanharam do lado de fora do bar. Tamara a abraçou, e disse:
-Volte para nos visitar!
- Voltarei!
Camila então deu partida em sua moto, onde a velocidade e a brisa fez a esquecer aquele acontecimento estranho, da noite passada. Os outros foram para suas receptivas casas. Ninguém percebeu que uma mulher de túnica vermelha tinha passado o resto da noite os observando no bar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Vingança!- Por Denny Guinevere Du Coudray


Por um tempo permaneci imóvel esperando uma suplica de meu inimigo. Jorge encontrava-se no chão com olhos arregalados olhando atentamente para a arma prateada que se encontrava em minhas mãos, o semblante transparecia seu desespero agonizante.

EM minhas mãos estava um calibre 38 bem posicionada na direção de Jorge, ele sabia que eu não o deixaria ir.

__ Monique, eu imploro... Sou jovem, não quero morrer! - ele chorava como uma criança ridícula, isto só aumentava meu desejo sombrio e obscuro.

Gargalhei.

Vi em seus olhos o medo sucumbir, Jorge cagava-se de pânico e eu me divertia, apesar dele ser alto e mais forte não iria conseguir escapar desta, sempre gostei do meu lado cruel.

Puxei o cão da arma e ela fez um ruído indicando que a câmara havia girado esperando meu próximo passo. Coloquei levemente meu dedo no gatilho e sorri.

__ Perdoe-me! – Jorge finalmente reconheceu seu fim trágico.

A arma já estava submissa esperando meu comando. Notei as lágrimas que rolavam na face do desgraçado que acabou com minha vida, sonhos e ilusões, então disparei o tiro certeiro que o atingiu na face desfigurando-o e esparramando seu sangue pelo chão. O corpo de Jorge pendeu-se para trás até atingir o solo, seu olhar aterrorizante denunciava um corpo inerte, sem vida.

Recolhi a arma limpando minhas digitais. Quando a madrugada findasse o corpo de Jorge seria encontrado e provavelmente levantariam suspeitas. Mas, não importava.

Suspirei aliviada. Finalmente minha vingança estava se cumprindo.



Eu e Monaliza éramos amigas e amantes. A cada dia que passava meu sentimento por ela aumentava. Iludi-me. A bela face de Monaliza escondia um coração cruel.

Estava indo tudo bem, nosso romance despertava um sentimento desconhecido até que eu descobri a verdade...

Iria me encontrar com Monaliza em um domingo chuvoso. Eu estava ansiosa, ela distante. Depois de três horas esperando a bonequinha avistei de longe o Jorge e seus amigos vindo em minha direção.

__ Onde está Monaliza? – perguntei assim que se aproximaram.

__ Ela estava passando mal. Sentou para descansar. – disse Jorge não escondendo seu embaraço.

Algo em mim dizia que eu deveria ir embora, a presença de Jorge me incomodava de maneira diferente. Senti algo pairando sobre ele, e não era nada bom, pelo menos pra mim.

Quando Monaliza apareceu dentre a multidão, os garotos que estavam ao meu lado se afastaram. “Já sei de tudo” – pensei.

Monaliza tentou beijar-me nos lábios dando um selinho carinhoso, eu desviei.

__ Precisamos conversar – disse ela calmamente.

__ Diga. – Falei um pouco fria.

__ Não quero continuar.

__ Não quer continuar comigo? – perguntei. Ela balançou a cabeça afirmando o que eu já sabia.

__ Tudo bem. – respondi. – Já que estou aqui, vamos curtir.

Ela ficou ao meu lado dizendo varias bobagens, tais como: minha mãe não aprova, uma pessoa me balançou, estou confusa...

“Porque não diz que nunca me quis? Porque não assumi ter sido cruel me deixando no frio esperando até você ter coragem pra me dizer? Como quer que eu evite a morte de minha alma se você esta matando o que resta dela? Odeio você!” – pensei com raiva, mas sorrindo para ela enquanto se justificava inutilmente.

Bom, não preciso relatar o fim da noite, não é mesmo? Ficamos bêbados e senti o ódio crescer em minha veias fulminando a imagem dela com os olhos.

Evitava olhar para o rosto que outrora beijei sentia nojo dos lábios dela e um ciúme encheu meu orgulho ferido de mulher, a mentira que ela dizia pra mim foi a ultima gota de água. Bastava!

Não quis agredi-la verbalmente e não farei ao contar-lhe uma historia trágica de romance, ela deve ter seus motivos lá no fundo não?

Desgraçada!

Vi o Jorge e ela se beijarem as escondidas, cada facada que ela impunha em meu peito me transformava em um monstro. A doce Monique havia morrido naquela noite.

Foi nesse momento em que meu ódio e vontade de vingança se uniram arquitetando um plano infalível.

Eu iria mata-los, mesmo que esta atitude sacrificasse minha liberdade.



Naquele dia eu havia marcado um encontro com Jorge, eu havia dito que queria somente conversar. Ele concordou rapidamente, este encontro daria uma chance de executar meu plano com êxito. Após dar fim a vida de Jorge caminhei rapidamente ás pressas para a casa de “Mona”, a morte dela ia ser mais divertida de fato.

__ Anjo! Você por aqui? Eu queria mesmo falar com você! – disse ela ao mesmo tempo em que me abraçava graciosamente.

Se ela fosse esperta o bastante, teria notado meu ódio nos olhos e evitaria o fim de seus dias.

__ Também queria falar com você amor.

Ergui a faca que encontrava em minhas mãos, Monaliza tentou correr. Agarrei ela pelos cabelos e finquei a faca em seu corpo. Atingi bem o coração dela, vi seus olhos implorando piedade. Gargalhei mais uma vez.

Deixei ela sangrando em sua casa, vi a vida dela se esvaindo pelos dedos enquanto chorava pedindo perdão e tentando compreender porque eu tinha feito aquilo.

__ Se não vai ser minha, não será de ninguém. Jorge também esta morto querida. Aproveitem o outro lado da vida.

Beijei-lhe a boca antes dela perder os sentidos, o sangue dela espalhava-se pelo chão.

Se iriam descobrir? Pouco me importava... Agora estavam mortos e minha vingança feita.

Vingança é um prato que se come frio.

Coloquei a blusa, estava esfriando. Com certeza o caminho de volta para casa seria alegre e calmo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O jardim de Anette - por Malina



"Quem te falou sobre causa e efeito?
Quem te falou sobre um coração que não esquece?
Quem te falou sobre fama e fortuna?
Quem te falou que o demonio não tem nome?"
(The 69 eyes)

Anton acabara de acordar e mal podia ver o que estava ao seu redor. Sua visão estava turva e sua cabeça doía intensamente.
Tentou se levantar até que notou que estava amarrado. Os braços esticados em direção ao seu corpo, estavam presos á duas cordas grossas.

Anton levantou a cabeça lentamente e tentou olhar ao seu redor mas o lugar era escuro e apenas a luz da rua iluminava o local aonde estava. Mesmo com a visão debilitada ele pôde perceber que o chão era de uma terra escura, logo no final do cômodo pôde ver também algo que se assemelhava a um tronco de árvore.

- Puta merda! O que fui fazer! - Exclamou para si mesmo num momento de raiva, mas logo se arrependeu por ter falado alto.

Ele não sabia aonde estava e nem como tinha chegado ali, mas sabia que algo estava errado e que precisava se soltar das cordas que o prendiam.

Anton era um homem de trinta e sete anos, casado e bem-sucedido em sua vida profissional. Era alto e sempre zelava pela saúde do seu corpo, chegava a ser um tanto vaidoso. Embora fosse casado, tinha alguns relacionamentos fora do casamento e fazia questão que sua esposa fosse totalmente poupada de seus deslizes. Justificava para si mesmo que tais relacionamentos eram somente uma forma natural de obter prazeres carnais sem expor sua esposa.
De qualquer forma ele estava preocupado agora, suas fantasias nunca tinham atingido um nível desses e ele tampouco gostava de ser dominado.

Seu suor escorria em sua testa formando uma pequena poça ao lado de sua cabeça, seus punhos ardiam e ele já estava se sentindo nauseado por causa da situação. Não importava o esforço que fizesse, ele nunca conseguiria se soltar.
Já tinha imaginado trezentas formas de se livrar dali, quem quer que fosse, iria voltar e ele estava pensando em como agir. Não sabia se ficava acordado e gritava ou se fingia de desmaiado e estudaria um modo de se soltar.

Anton estava completamente mergulhado em suas hipóteses quando a luz acendeu o forçando a optar pela segunda opção. Ele ficaria imóvel esperando uma oportunidade de se salvar. Fechou os olhos e sentiu que alguém se aproximava.

- Olá Anton. - Disse uma voz feminina que ele tentou reconhecer de imediato, mas não obteve sucesso. - Não adianta fingir que está dormindo querido, o efeito da anestesia acabou há dez minutos.

Anton abriu os olhos e o fracasso estava estampado em seu olhar. Virou a cabeça em direção da desconhecida e viu que se tratava de uma linda mulher.

- Ah! Assim está melhor. Não banque o espertinho comigo, tudo bem? - Disse Anette, uma mulher extremamente atraente. Morena com os cabelos cacheados até no meio das costas, olhos verdes e belíssimas pernas. Anette vestia um vestido preto de decote ousado e bordado com pequenas pedras brancas.

Ela se aproximou com um sorriso sarcástico e passou a mão nos cabelos de Anton, como um simples gesto de carinho. Anton desviou seu olhar, virando a cabeça para o outro lado quando viu que estava em um jardim. Um suspiro de desespero ameaçou sair de sua boca, mas Anette a tampou, virando novamente seus rosto em sua direção. Anette inclinou-se em direção á ele e olhando dentro de seus olhos continuou:

- Gostou do meu jardim, querido?

- O que você quer? - Disse Anton com a voz trêmula. - Eu tenho dinheiro, faço o que quiser, apenas me deixe ir.

- Ora amor, não seja covarde. Você não faz o estilo. - Anette falou e se distanciou dele, caminhando até o outro canto do jardim.

Anton se esforçava para identificá-la, mas não fazia idéia da onde a tinha conhecido. Ela ainda estava de costas para ele enquanto ele se ocupava em olhar as amarras dos seus braços, Anette notando sua inquietação, voltou-se vagarosamente e mostrou a ele uma faca enorme.

- Isso resolveria seu problema? - Perguntou com sua voz angelical.

- Sim querida, essas amarras estão me machucando. Tire-as para mim? - Ele disse com a esperança de poder enganá-la.

- Anton, você está sendo tão previsível. Sempre vi isso em filmes, mas não achei que acontecesse realmente. Primeiro, você tenta fingir de morto, depois, tenta me comprar com seu dinheiro sujo e agora tenta se fazer de amigo? O que mais você vai tentar? Gritar? - Ela concluiu com uma gargalhada diabólica que o fez tremer.

E foi exatamente o que ele fez. Gritou por socorro á plenos pulmões até que ela tampasse sua boca.

- Shhhhhhh, quietinho amor. - Ela ainda gargalhava. - Você vai precisar da sua voz quando eu começar, poupe-a.

Anton a encarou com pavor.

- O que você quer? Me matar?

- Sim. - Ela falou enquanto olhava a lâmina reluzente da faca em sua mão. - E sabe o que pode lhe livrar disso?

- O que? Diga-me, farei o que mandar! - Anton estava desesperado.

- Nada. - Ela sorriu novamente.

Anette virou-se para ele e ainda olhando a faca, passou-a em toda a extensão do braço de Anton o fazendo gemer de dor. Quando chegou próxima ao punho, fitou o corte enorme que se abria aos poucos e que começava a sangrar.

- Grite querido, o gato comeu sua língua? - Ela perguntou se inclinando em sua direção e tocando sua boca com a ponta dos dedos.

- Sua vagabunda!

- Do inferno. - Anette completou logo ferindo lentamente a perna de Anton, dessa vez com mais força. Anton quase desmaiou quando teve a sensação de que a ponta da faca arranhava seu fêmur. Ele ficou pálido e sua respiração ofegou, estava quase perdendo os sentindos quando ouviu a voz de Anette.

- Se desmaiar, eu paro e o espero acordar. Então? Vamos ou não prolongar nossa festinha?

Nesse momento Anton pareceu ter finalmente percebido que aquela seria a noite em que morreria.

- Acabe logo com isso. - Ele ordenou com a última dose de coragem que restava em seu corpo.

Anette soltou uma gargalhada e subiu em cima dele, apertando a faca em seu peito e descendo até o umbigo. Anton não gritou, a dor não permitiu. Ele apenas fechou os olhos, o grito foi interno. Ele trincava os dentes enquanto Anette passava a mão em seu peito ensanguentado e abria ainda mais o corte feito.

Ele tentou encará-la, mas era demais para ele. Ela aos poucos deitou, e aproximou a cabeça da ferida, quando levantou, seu rosto estava coberto de sangue.

- Como você é doce por dentro! - Exclamou em delírio, mas logo se levantou e retornou á sua posição inicial, ao lado de Anton.

Aos poucos foi cortando levemente o corpo de Anton, voltou aos braços, desceu pelo peito e finalmente chegou ás pernas. Ele já estava enfraquecido e o pavor já não o dominava, quando ela começou a cantalorar um música de ninar.

- Anton! - O fez acordar do seu semi-desmaio. - Sabe quantos já estiveram no seu lugar? Sabe quantos homens já deitaram nessa maca? Muitos, meu bem, muitos. Está vendo esse jardim? É ali atrás aonde você vai ficar, já preparei tudo enquanto você dormia. É aqui, nessa terra escura, que você vai descançar e me fazer companhia nas minhas tardes chuvosas. Sabe, eu adoro ler aqui, ainda vou lhe contar mil histórias, vamos ficar juntos para sempre, eu, você e meus outros companheiros.

Anton ficou com medo de levantar a cabeça e ver o seu estado, apenas olhou para a luz e disse:

- Você é doente.

- Não, não sou. - Ela retucou. - Você é doente, ou seria inocente? Seguro demais para poder se aproximar de mim? Não sei. Só sei que você não deveria ter me olhado daquele jeito mal-educado naquele bar, você quase me comeu com os olhos querido! E veja agora aonde está! No meu jardim. - Fez uma pausa, sussurrando em seguida - no meu jardim secreto.- Sorriu.

Anton não resistiu mais por muito tempo, seu corpo doía indescritívelmente e ele começou a desfalecer. Sentiu como se tivesse um caminhão em cima dele e em poucos minutos sentiu um frio terrível.
Anette soltou as cordas que o amarravam mas era tarde demais, ele não conseguia nem abrir os olhos. Ela o jogou na terra e com certa dificuldade o arrastou até o outro canto do jardim, o jogando em sua cova rasa. Começou a jogar a terra em cima dele, ele ainda respirava.

Anette sorria enquanto cantarolava baixinho:

"Jardim escondido,
Não ultrapasses o caminho permitido,
Onde a noite jaz,
Se se aproximares muito,
Não saíras jamais!"

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

espinhos sem rosas por Camila Bernardini




Poesia: Espinhos sem


AH! Tormento que eu não posso confessar


O que eu escrevo é a verdade, eu não minto


.Eu declaro tudo aquilo que eu sinto


Mesmo sabendo que agora é outra que seus lábios vão beijar


Sei que quanto, mas verdade tem no escrito


Mais distante eu te ponho dos meus braços


Pois desenho o paralelo de dois traços


Que na certa vão perder-se no infinito


Se esse amor aos poucos me modifica


Me transforma, me edifica


Não entendo como em seu coração


Ele não alcança, não habita


Tantas verdades se perdem no caminho


Noites em claro que fico acordada


Onde não vejo rosas só espinhos


E a dor de não me sentir amada


Enquanto outra dorme em seu lado


Eu pálida, bêbada, tremo


E me afogo e me sufoco


Entre loucura e paixão


Tento discernir o que é certo do que é errado


E sempre o sentimento de culpada


Em quanto você caminha sempre cego


Me ferindo com a lança de sua espada


Vejo no céu a lua prateada


As estrelas que ainda brilham


Peço com a voz rouca, entrecortada


Que me iluminem e me guiem


Peço nas noites para não ouvir sua voz


Nem que seu perfume venha se espalhar


E tenho medo de fechar os olhos


E ver que seu rosto ainda esta lá


Mas á mim você não pertence


Então a deixo te levar


Enquanto do meu rosto cai o pranto


Que por sua culpa está á brotar

Amor Reprimido - Por Denny Guinevere Du Coudray


Amor?

O amor é um sentimento que nos joga para o abismo do inferno escravizando-nos pela eternidade.

Orgulho ferido, Maldade intensa, Lágrimas ocultas...

Que maldito sentimento monstruoso é este?

Qual a finalidade de nos vermos acorrentados como fracos diante tamanha ilusão hipócrita e ilusória? Porque nos contentamos em sermos escravos diante a solidão persistente?

Vós digo caros amigos, sofri desse maldito por um tempo, porém me libertei do demônio que me apoderou por momentos enganosos...

Amei, acreditei num futuro maravilhoso ao lado de quem julguei amar, e o que foi que recebi em troca? Uma facada no peito como se eu fosse um animal selvagem que precisava ser extinto de suas vidas.

Deixo claro, que apesar das desilusões que aparentemente venho a me recompor estou limpa como água cristalina da fonte divina do paraíso do éden, algo nesta história marcante e triste me fez mudar.

Nunca mais serei tola em mãos inimigas, não me deixarei levar por um rosto angelical ou por uma voz magnífica... Em todo meu ser resta frieza gélida como a madrugada de inverno do qual me congela agora.

Que não sejas irmãos! Que não sejas enganado pelo amor medíocre que vos cega impiedosamente e assim nos uniremos numa corrente contra o mal de amar.

Que eu seja perdoada pelas palavras ditas em minha oração, pois sofro com a perda constante de um amor bandido e traiçoeiro. Perdoem-me pela fraqueza e lágrimas que diante de vós derramo intensamente. Amei, porém em nenhum momento soube que meu sentimento era retribuído.

Perdoe-me mais uma vez por ser tão fútil e inútil perante vós. Ajoelho-me em prantos rogando seu nome em vão para que me salve mais uma vez do inferno que eu mesma criei.

domingo, 3 de agosto de 2008

Anne - por Malina


"Dispa-se
Desnude sua alma
Eu me acorrentarei aos seus seios
Para descançar em mármore branco
Eu me submeterei a você
Para ser devoto sob suas asas
Deusa branca ou ser humano?"
(Lacrimosa)


Numa tarde chuvosa, Anne estava na sala grande e vazia olhando com tristeza o céu cinza que parecia lamentar junto á ela.
Sua solidão inundava a sala e suas lágrimas escorriam em sua face pálida. Seu cabelo cobria seus ombros como uma mortalha fazendo-a parecer um anjo.

Só o som do piano percorria a casa, como o vento, ele invadia todos os cômodos os enxendo de melancolia.

Anne estava parada na janela, não conseguia se mover. Sabia que nada podia fazer desde que tudo começou. E que embora quisesse fugir, aquele era o seu destino.

A música se tornava mais alta a cada nota, Anne apenas fechava os olhos.

A chuva começou a cair mais forte manchando a paisagem do lado de fora, tudo agora se resumia em borrões de cinza e verde.
Anne deu um último suspiro e virou-se para sala a fitando com tristeza, caminhou até a porta e seguiu pelo extenso corredor. A música parou um instante quando Anne se aproximou da sala principal.
Ela entrou e o que viu a fez desmoronar em um choro inquietante.

- Não fique assim Anne. - Disse Philipe, o rapaz que estava sentado diante o piano e que tocava aquela sinfonia dolorosa.

Anne balançou a cabeça num ato de desespero e logo levantou seu olhar para ele. Viu como nunca a face pálida de Philipe, talvez ela nunca tivesse reparado o quanto ele era bonito. Ele vestia uma calça de veludo preta e uma blusa de babados branca, seus cabelos dourados pareciam flutuar sobre seus ombros.

- Vá embora da minha casa. - Disse Anne entre soluços mas Philipe não respondeu, virou-se para frente e continuou tocando.

Anne se aproximou dele com passos lentos. Pensou no quanto parecia pobre perto de uma figura tão perfeita como aquela. Olhou pela janela e viu que a noite anunciava sua chegada. Parou então perto do piano e acendeu o castiçal que havia sobre ele, encostou-se e olhou para o rapaz que tocava de cabeça baixa.

- Sabe, - disse Philipe - eu também não entedia o porquê de tudo isso. Passei noites de tormento antes que pudesse encontrar a luz. Sei o quanto é difícil para você nos aceitar Anne, mas esse é o seu lugar. A queremos conosco.

- Philipe, deixe-me em paz. Diga aos outros que quero que vão embora.

Philipe levantou o olhar, sua expressão era de tristeza.

- Perdoe-me.

Anne virou e saiu, foi até seu quarto arrastando os dedos na parede. Abriu a porta e entrou logo se sentando na cama. Olhou para as paredes e seu pensamento se perdeu enquanto olhava as pinturas de seus antepassados.
Ela deixou que seu olhar se perdesse por um minuto antes de abrir a gaveta da pequena cômoda que ficava o lado de sua cama e pegasse o pequeno punhal que ali estava.

A música novamente se tornou alta enquanto Anne se feria mortalmente com aquela pequena e tão delicada arma. Em poucos minutos Anne estava caída em sua cama e o sangue manchava seu vestido azul.

Phelipe continuava na sala, mas dessa vez não estava sozinho. Mais três belas moças em silêncio estavam junto a lareira.
A porta se abriu vagarosamente até que ela aparecesse. Anne vestia um novo vestido, muito mais belo que o anterior. Ela entrou pela sala parecendo deslizar sobre o chão de madeira.

- Anne. Venha, sente-se com as meninas.

As três moças agora sorriam alegremente. Uma delas se levantou e estendeu o braço para Anne. Anne se aproximou e sentou.

- É tão bom tê-la conosco querida. - Disse a moça de cabelos loiros cacheados e de olhos extremamente azuis. - Nada mais pode nos separar agora, nem a eternidade.

Do outro canto da sala Phelipe sorria.

Anne agora sabia, ali mesmo naquela propriedade ela fora sepultada, e dali, nunca mais sairia.